07/11/2020 às 09h25min - Atualizada em 07/11/2020 às 09h25min

Óbidos na revista Carioca em 1943. Uma história de evolução | Portal Obidense

Suas riquezas, suas histórias e seus valores. O Matadouro Modelo, o Mercado Municipal, e inúmeras residências particulares, completam o embelezamento de Óbidos

Por: Rubem Murillo
Blog do Pe. Sidney Augusto
ÓBIDOS - Situada à margem esquerda do Amazonas, Óbidos, pela sua situação topográfica, pelas características de sua paisagem, é uma visão evocativa daqueles tempos do “Eldorado” misterioso e tão cobiçado pelo gênio aventureiro de Orellana.
 
O passageiro das “gaiolas”, que embrenhar o espírito na história do “rio das Amazonas”, recordará um sem número de fantasias criadas pelos primeiros aventureiros que, partindo do litoral peruano, ali chegaram, de surpresa em surpresa, de assombro em assombro pelos imprevistos da natureza misteriosa e gigantesca. As nativas, tão guerreiras como os homens, despertaram em frei Gaspar de Carvajal, estas palavras da mais profunda admiração:

(...) muy blancas y altas y tienen muy largo el cabello y entranzado y revuelto à la cabeça, y muy membrudas y andam desnudas en cueros, tapadas sus verguenzas, con sus arcos e flexas en las manos, haciendo tanta guerra como diez indios.
 
Toda a história do Pará lendário ressurge, assim, à vista de Óbidos, antiga aldeia de índios, dos famosos Pauxis, denominação dada hoje ao igarapé e ao lago que marginam a cidade.
 
Do valor dessa terra privilegiada já Simão Estácio da Silveira dizia, em fins do século XVI, segundo J. F. de Almeida Prado, na sua importante obra “Pernambuco e as Capitanias do Norte do Brasil”:

A terra promete grandes riquezas i per que como he constelação quente Oriental a onde o sol nace per cima do mar há de auer nella muito cobre que ya se vay descobrindo, ouro e outros metaes, esmeraldas, cristal, pedras de lenar e outras preciosas, salitre e outros mineraes, e no Rio perlas, de que ya se virão e acharão bons princípios. 
***
Óbidos é, atualmente, um dos mais ricos municípios do Estado.
A antiga Pauxis foi fundada em 1697 pelo capitão general Antônio de Albuquerque Coelho de Andrade, homem de ação que tratou logo de prover a aldeia de todo o necessário para a sua rápida evolução. Mais tarde, em 25 de março de 1758, por iniciativa do governador da Capitania, capitão general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, a aldeia é elevada à Vila.
 
O ato é recebido com grandes manifestações de alegria da população, pouco densa, ainda, mas ordeira e ativa.
 
Não obstante, o povo esquece um pouco os seus afazeres e vem para o arraial dar expansão ao seu contentamento, em festas e danças que se prolongam pela noite e chegam às primeiras horas do dia.

Óbidos já não mais conserva aquela fisionomia selvagem dos primeiros dias do século em que Orellana lhe rondava as margens; tão selvagem que, a crer no que nos conta o padre Luiz Figueira, as amazonas devoravam os filhos varões, conservando, porém, as mulheres, tão certas estavam de que aqueles lhes trariam infortúnios de toda espécie.
 
Foi ainda nas águas caudalosas do rio mar, nas proximidades de Pauxis, que o tristemente célebre Lopo de Aguirre, encerrou a sua vida de aventuras, pois acusado como assassino do comandante Orsua e mais de Gusman, D. Inês de Atienza e da sua própria filha Elvira, foi preso e remetido à Venezuela, onde a justiça o fez executar, mandando ainda que o seu corpo, feito em pedaços, fosse exposto para maior exemplo do valor da justiça.
 
A lei 252, de 02 de outubro de 1854, promove a velha aldeia à cidade, com a denominação de Óbidos, e honras de sede do município.
Óbidos exulta, rejuvenesce.
 
É quando, a 23 de setembro de 1867, pela lei 520, é elevada à Comarca, abrangendo os municípios vizinhos de Faro e Juruti.
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Com uma superfície de 68.024 Km², sua população esta estimada em cerca de 30.000 habitantes, distando da capital do Estado 1.055 quilômetros, em linha reta, 789 quilômetros, sendo as comunicações feitas por meio de vapores de diversos tipos e tamanhos, além da linha aérea regular da Panair.
 
Como praça comercial, Óbidos está em uma situação promissora, em relação à crise determinada pela Guerra.
 
Além da famosa castanha-do-pará, exporta cacau, cumarú, babaçu, caruá, murumurú, seiva de jutaí, óleo de copaíba, resina e outros produtos da indústria extrativista vegetal, como madeiras e lenha. A indústria pastoril está igualmente desenvolvida, assim como a extrativa animal, em que se destacam as peles de onça, veado, caetetú, maracajá, ariranha, lontra, jacurarú, jacaré, camaleão, queixada e muitas outras, e couros, crinas, carnes salgadas e a nova indústria do pirarucu.
 
A agricultura tem tido o mesmo desenvolvimento, sendo grande a exportação de laranja, lima, tangerina, abacaxi, limão e abacate.
 
Sede de uma unidade do Exército, a 8ª Bateria Independente de Artilharia de Costa, instalada em moderno e confortável quartel (vide fotografia acima reproduzida); conta ainda a cidade com outro elemento de defesa, o Forte de Óbidos, situado na serra da Escama, que se eleva junto à cidade, à uma altura de 60 metros e de onde se domina inteiramente o rio.
 
Outros grandes melhoramentos estão realizando os governos estadual e federal, sendo de notar as edificações feitas pelo Ministério da Guerra e que emprestam à cidade novos motivos de atração.
 
O Matadouro Modelo, o Mercado Municipal, e inúmeras residências particulares, completam o embelezamento de Óbidos, que ainda hoje canta, nas suas festas populares, com a alegria ingênua dos tempos em que não conhecia, sequer, a energia elétrica:
 
Nós vamos para Belém
Visitar o Deus Menino,
Que veio nascer na terra
Sendo ele tão divino...

 
NOTA: Publicado na Revista Carioca no ano de 1943.


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