20/12/2022 às 11h17min - Atualizada em 20/12/2022 às 11h17min

Poeta, compositor e escritor, Sérgio de Andrade | Portal Obidense

Poeta Obidense, acredita já ter composto milhares de poesias. Vive em Óbidos, exerce a profissão de pescador

Por: Elton Pereira
Conheça o Poeta e compistor Sergio de Andrade

ÓBIDOS – Aos apaixonados pela boa arte, convidamos acompanhar a história de um artista genuinamente obidense, que declama seu amor por esta terra, desde muito cedo, quando em uma singela escolinha, começou a escrever seus poemas e a encantar seus ouvintes.
 
Foi em um sábado, era chagado o dia 2 de setembro de 1950, quando o casal Maria da Conceição Andrade Vinente e Luiz Gonzaga Vinente, colocaram neste mundo, na cidade de Óbidos, oeste do Pará, uma pequena criança do sexo masculino, o primogênito do casal, ao qual batizaram de Luiz Sergio Andrade Vinente, além dele, o casal ainda veio a ter outros 3 filhos.
 
Os anos se passaram e logo a criança cresceu, mostrando sempre sua facilidade de aprender, aos 6 anos quando já sabia ler iniciou os estudos na escola Isolada-mista Salva-vidas, localizada na região do Paraná da Dona Rosa, município de Juruti, para onde seus pais já haviam se mudado em busca de mais oportunidades de trabalho. Foi com a professora Alta Arruda do Amaral que o pequeno Sérgio aperfeiçoou a fala, escrita e leitura, e logo aos 8 anos começou a escrever suas primeiras poesias, entre outras tantas que ainda iria escrever.
 
A vida no interior seguiu até aos 16 anos, onde ajudava os pais e irmãos com a pesca, que pela falta de malhadeira na época, normalmente acontecia com o uso de Arco, Flecha, Arpão e espinhel. Com a necessidade de estudar, logo Sergio de Andrade retornou para a cidade de Óbidos, onde dividia o tempo entre os estudos com o trabalho, iniciado na olaria de seu Francisco Anastácio de Farias, popular “Ninor”, que ficava localizado próximo a onde hoje, funciona a colônia de pescadores Z-19, e mesmo em meio da vida corrida entre estudos e trabalho, não deixou de escrever seus poemas.

O Poeta concluiu o Ensino Fundamental na escola Municipal São Francisco e Felipe Patroni, concluindo o Nível Médio na Escola Estadual de Ensino Médio São José.
 
 
FESTIVAL DE MÚSICAS
 
Já mais maduro, Sérgio de Andrade participou da realização do primeiro festival de músicas de Óbidos, denominado de Festival da Canção Obidense (FECOB), que foi realizado na praça de Sant'Ana (Praça Barão do Rio Branco). Era dezembro de 1984 e o evento movimentou a cidade e o público lotou a praça para ouvir as canções que se apresentariam. Logo cada um foi escolhendo sua música favorita. A apresentação do festival ficou por conta do radialista santareno Edinaldo Mota. A música que contagiou o público e acabou vencendo o festival, era de autoria do poeta obidense Sérgio de Andrade, denominada "Às vezes", interpretada pelo cantor Amauri Savino que se consagrou no festival. A segunda colocada também foi de autoria de Sérgio de Andrade, "Canoeiro", que foi interpretada pelo Alvino Cerdeira.

Sérgio de Andrade é autodidata e autor da letra de músicas que fizeram sucesso nos festivais da Musica Popular Obidense, como. “Às vezes”, (1985); “Canoeiro”, (1985)” Minha Jangada” em, (1986) e “Cantinho Utópico”, (1988). Sucessos estes gravados em LP’s e CD’s por diversos artistas obidenses.

Seus trabalhos se destacam pela linguagem simples do caboclo pauxiara. É autor da poesia intitulada “História dos pescadores no Brasil” lançado na cidade de Santarém, no ano de 2005; “O dia em que eu nasci”, que artisticamente considera como seu Registro de Nascimento; “Feio que faz bonito”; “Itancoã”, (2003); “Minha Cidade”; “Namorada do Amazonas”; “Berço Natal”; “Help, Lago Pauxis”; “Lamento Amazônico”, (2008); música do Bloco das Virgens e Hino do Esporte Clube Vila Nova. Criou a lenda do Neguinho do Laguinho, um grito abafado pela preservação do Lago Pauxis.

Foi Secretário Geral da Colônia dos Pescadores Z-19 por 12 anos consecutivos; Secretário Geral do Movimento dos Pescadores e Pescadoras do Oeste do Pará e Baixo Amazonas – OMPBAM (2004); Coordenador da Pastoral da Juventude e Diretor do Vila Nova Esporte Clube e Sub Secretário de Cultura de Óbidos e comentarista do Portal Obidense sobre o Carnapuxis e cultura obidense.
 
Entre a vida de compositor e poeta, estava o lado voluntário de Andrade. Homem temente a Deus doava parte de seu tempo, como líder de clube de jovem (Nova Geração) no bairro da cidade Nova, onde mora até os dias de hoje. Participante ativo, Sergio de Andrade com seu clube de jovens organizava as missas aos domingos na igreja do Sagrado Coração de Jesus e a noite reunia com os jovens para falar de Deus, juventude, arte, poesia e esporte. Assim seu trabalho, era não deixar aquela juventude ociosa, apresentando caminhos, livrando dos vícios do Álcool, drogas e outras males a quais muito jovens podem ocorrer.  
 
LIVROS
 
Passado o festival da Canção Obidense, Sergio seguia com suas poesias, e entre o amor pela escrita, entre os anos 80 e 90, surgiu a vontade de lançar seu primeiro livro, intitulado de “A história dos Pescadores do Brasil”, que foi lançado em Santarém, com o apoio do Projeto Várzea, e retratou os problemas enfrentados pelos pescadores no ano de 1500.
 
Escreveu ainda em forma de literatura de Cordel, uma poesia sobre o maior naufrágio já registrado em águas doces, o naufrágio do navio Sobal Santos, ocorrido no porto de Óbidos Pará, no dia 19 de setembro do ano de 1981, quando a embarcação adernou e afundou matando mais de 340 passageiros, fato este retratado pelo poeta obidense que ganhou o mundo.
 
Já chegado os anos 2000, Sergio de Andrade lançou ainda no dia 12 de julho de 2013, o livro intitulado “Pinceladas Poéticas”, livro este com o Selo Idelfonso Guimarães de Literatura, lançado com o apoio da Secretaria Especial de Estado de Promoção Social e Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, o livro que em poesias fala sobre diversos assuntos, como amor, felicidade, Meio Ambiente, Óbidos e demais assuntos que fazem parte da vida das pessoas e de Sérgio. É importante dizer que, todas suas poesias são escritas na primeira pessoa do singular, “Eu”, essa é uma maneira que o escrito encontrou de fazer com que o leitor se identifique com a poesia. O livro ainda está disponível para compras, no fone (93) 99231-4190.

Entre seus trabalhos voluntários, está o de sempre pensar no furo da juventude obidense, quando iniciou o projeto de uma escolhinha de futebol que trabalha com crianças pobres da periferia de Óbidos, sem espaço e sem condições, porém devido à falta de parceria e recurso Sérgio teve que finalizar os trabalhos por não ter mais condições de tirar de seu próprio bolso dinheiro para comprar, bolas e coletes entre outros.  
 
Projetos Futuros

Aos 72 anos, Sérgio de Andrade espera ainda lançar alguns projetos, como um livro intitulado de “Paraná de minha Saudade”, que busca retratar a região que cresceu, o Paraná de dona Rosa no município de Juruti, enquanto isso o poeta obidense segue na sua paixão e “dever” de compartilhar com os amantes de sua arte, suas poesias, canções e livros, que nos emocionam a cada estrofe.
 
É diariamente procurado por alunos em sua residência localizada na Rua Pedro Álvares Cabral, no bairro da Cidade Nova, que buscam conhecer o seu trabalho literário.

Segundo Sérgio, “... todos nós somos capazes de colocar nossas alegrias e tristezas no papel através da poesia [...] a arte de escrever não se aprende, se exercita [...] busquem portanto conhecimentos [...] pois só assim, alcançaremos nossos objetivos”.


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