Folclore Pauxi

Folclore Pauxi

Nos bons tempos da garcinha, boi Pai do Campo e Pintadinho entre outros

Viajando na história do folclore obidense em tempos de saudades onde se brincava nos quintais e terrenos e uma multidão vinha assistir e brincar junto.

ÓBIDOS - Óbidos é uma cidade encantadora pela sua beleza arquitetônica, mas já o foi também muito rica pela sua beleza cultural. Hoje ainda se pode vislumbrar um pouco dessa gloriosa riqueza que vem sendo resgatada por pessoas que se importam com a identidade cultural obidense. O carnaval continua sendo símbolo maior da cultura local. No entanto, o passado revela uma riqueza cultural muito significativa.

Óbidos teve no “Theatro Bom Jesus” artistas que passaram pelo palco deixando suas marcas. Isso ainda no século XIX. Já no início do século XX havia o “Theatro São Francisco”, mantido pela paróquia, com peças teatrais de caráter religioso, com peças que enfatizavam a “moral e bons costumes”, enquanto peças de comédia e sátiras eram combatidas pelos zelosos padres franciscanos. No palco do “São Francisco” eram encenadas pela década de 1930 e 1940 as dramatizações da “Paixão de Cristo”, feitas pelos jovens associados do Apostolado de Oração, Congregação Mariana e Filhas de Maria, que lideravam a nata religiosa do povo obidense, sempre sob a direção espiritual dos padres. 

No entanto, além do teatro dos palcos, havia o teatro pastoril, esse mais popular e desempenhado por grupos que encenavam uma história unindo música, dança e encenação. Óbidos tinha a representação das Pastorinhas, um auto de Natal que, encenado na Igreja Matriz, também percorria diversas casas da cidade. Já na década de 1970 algumas das últimas encenações eram realizadas no Salão Paroquial, aos cuidados de dona Maria José Ferreira, que procurava preservar as melodias e textos do auto de Natal obidense. Entre os personagens do enredo destacavam-se o Menino Jesus, Maria, José, o Anjo, a Estrela, a Lua, o Pastor, a Pastora, a Mestra, a Pastora Perdida, a Florista, a Saloia, a Samaritana, a Camponesa, a Cigana, a Rosa, a Espanhola, dois meninos (ou meninas) negros e dois galegos. A cantoria do grupo tinha o acompanhamento de um conjunto de pau-e-corda.

Na quadra junina, ao lado das famosas quadrilhas roceiras, destacavam-se dois outros autos pastoris: o boi-bumbá e os cordões de pássaros. Entre estes últimos, destacou-se o “Cordão da Garcinha”, um grupo pastoril que era organizado pela senhora Maria José Ferreria (Dona Zezé), criadora das letras e da música do auto pastoril que era executado quase que exclusivamente por crianças. Entre seus brincantes, destacavam-se as figuras da Garça (uma criança vestida de branco, enfeitada de penas, que levava uma garça empalhada em sua mão), o Príncipe, a Fada, o Caçador (que persegue o pássaro para o matar), a Dona da Garça, Jaci (uma índia), o Tuxaua, o Pajé e seus dois filhos: Xibé e Caribé, a Índia Branca (que avisa a dona da Garça que o Caçador matou a ave), 18 Índios da tribo Aymoré e 20 Garcinhas. Entre os folguedos de Boi-bumbá, merecem destaque o “Pai-do-Campo” e o “Pintadinho”, o primeiro organizado e ensaiado por seu Joaquim e o segundo por dona Maria “Três Almas”.

Tudo isso somado às danças e melodias do marambiré, do lundu, da desfeiteira, dos shotes, do carimbó, das bandas de música, das folias e foliões, das Festividades de Santa Ana e dos outros santos de devoção, do Arraial, do artesanato pauxi, das histórias e “causos”, das lendas urbanas (qual o menino nascido na década de 1970 que nunca ouviu as histórias de seus pais e avós sobre as assombrações do Quartel ou o do Forte, que então se achavam em ruínas). Enfim, toda sorte de mística cultural que fazem do folclore obidense uma das maiores riquezas do seu povo.

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