Revolta Militar 1924

A Revolta Militar de 1924 na Cidade de Óbidos, quando a mesma foi bombardeada por aviões do governo.

ÓBIDOS - Eram seis horas da manhã no dia 26 de julho de 1924, quando se ouviu falar que havia bombardeio na cidade, não podíamos acreditar e tranquilamente dirigiram-se os padres à Matriz para a celebração das Santas Missas.

Notava-se entretanto menor assistência e concorrência para o confessionário apesar de ser o dia da Festa da Padroeira Sant’Anna que em geral se festejava com grande concorrência.

Acabada a primeira Santa Missa, viu-se nas ruas e travessas a correria do povo e o fechamento das casas. Os habitantes fugiram para conseguir em tempo as lanchas e embarcações ancoradas no porto. Não havia mais dúvida, a coisa era séria.

No largo da Matriz de Sant’Anna colocaram-se canhões em posição contra o navio de guerra, que se viu na boca do Rio Trombetas. Era uma canhoneira dos revoltosos de Manaus que vieram perturbar a tranqüilidade da nossa pequena cidade, o boato de um assalto da fortaleza pelos revoltosos que vinham cercar a cidade em número elevado aumentaram o susto do povo aterrorizado que fugiu loucamente pelas matas.

As ruas estão desertas, a cidade completamente abandonada. Entretanto o dia passa sem incidentes, começa a circular entre os soldados que os oficiais da fortaleza tinham aderido à revolta. Essa notícia vai se confirmando. Cerca de sete horas da noite ouvem-se gritos: Viva a Revolta! O comandante do IV Grupo foi preso pelos seus súditos e as forças da revolta vinham entrando na cidade, Óbidos estava na mão dos revoltosos.

Os dias seguintes eram de ansiedades e incertezas, porém permaneciam calmos. O povo entretanto não voltou do interior, dois dos nossos padres se retiraram para Oriximiná e Terra Santa enquanto o terceiro vigiava pelos conventos e as Igrejas. As Irmãs Clarissas mandamos para Santarém, a vida tornou-se enfadonha dentro da cidade. Estávamos presos sem poder trabalhar, devido aos sobressaltos até o dia 20 de agosto, nesse dia circulou a notícia de que as forças legais já tinham chegado em Santarém e que elas tinham mandado uma intimação aos revoltosos a depor as armas sob pena de virem a cidade e a fortaleza bombardeadas.

Os revoltosos preparam-se para resistir e em expectativas de graves acontecimentos retiravam-se os últimos moradores. No dia 23 aparecem dois aviões legalistas evoluindo sobre a cidade e lançando duas bombas sobre a fortaleza sem entretanto causar dano. Ouve-se um fuzilar impertinente no centro da cidade e nos dois fortes. Os aviões eram nervosamente alvejados pelos revoltosos que entretanto seguiram serenamente seu caminho em boa altura desaparecendo depois no horizonte. No dia 24, novamente alarme, era outra vez o avião legalista. Houve alguns disparos dos grandes canhões contra os navios das forças legais que mal se enxergavam abaixo da Ilha Grande e a fuzilaria de metralhadoras contra o avião. O efeito do aparecimento dos dois aviões causou um terrível pânico entre os seviciosos.

Centenas de soldados de todas as classes fugiram precipitadamente sem mesmo saber para onde, uns fugindo pelas matas e lagos, outros atravessando o Amazonas rumo à Ilha Grande. As seis horas do dia seguinte correm os primeiros boatos da capitulação. O padre que durante o fuzilar das metralhadoras e o troar dos canhões se tinha retirado para a margem oposta, volta com uns rapazes e entrando na cidade, verificou a realidade dos fatos, Óbidos estava a salvo, acabava a Revolução e festivamente repicaram-se os sinos de nossa velha Matriz, anunciando aos povos refugiados a paz que ansiosamente esperaram.

(Transcrito do Livro de Crônica do Convento de Óbidos)

 

 

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