03/11/2018 às 16h47min - Atualizada em 03/11/2018 às 16h47min

Senhora Sant’Ana: 260 anos como padroeira do povo obidense. Mas como foi escolhida a padroeira da então vila?

Muitos obidenses não conhecem a história da maior manifestação religiosa do povo católico de Óbidos

Por: Carlos Vieira

ÓBIDOS - Segundo Reis (1979), com a organização do aldeamento administrado pelos militares no ano de 1698 nas proximidades do Forte Pauxis, Senhora Sant’Ana foi escolhida para ser a Padroeira do povoado, enquanto Senhora da Conceição, passou a ser a Padroeira da Aldeinha, localizada um pouco abaixo da entrada do Rio Trombetas, sob a orientação espiritual dos Padres Capuchos da Piedade.

No ano de 1758 com a chegada do Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, a Aldeia dos Pauxis foi elevada à categoria de Vila com o nome de Óbidos. Nesse mesmo ano, o Padre José Cosme de Alfonseca foi nomeado o primeiro Pároco e Sant’Ana declarada oficialmente, como a Padroeira da Vila.

No decorrer dos primeiros 177 anos, as festividades da Padroeira Senhora Sant’Ana eram realizadas através das noites de orações, com missas, novenas e procissões. Até os meados da década de 30, ficavam sob a responsabilidade dos cidadãos (ãs) que compunham a Irmandade de Sant’Ana, que nessa mesma década foi dissolvida.

No ano de 1935 a senhora Luiza Seixas Marinho, esposa do senhor José Resende Marinho natural da Bahia, em cumprimento a uma graça alcançada e com a autorização do Vigário, deu início ao círio fluvial saindo de sua residência na Vila Seixas região da Costa Fronteira.

Sua promessa consistia em levar a santa para sua residência onde permanecia durante oito dias que antecediam ao círio, todas as noites a população se reunia para participar das orações.

No segundo domingo de julho, era realizado em frente a cidade, competições de canoagem, e o círio saia da residência do casal em uma procissão fluvial acompanhado por um grande número de canoas e lanchas. Segundo informações obtidas com os senhores João Maria Seixas e Raimundo Lázaro de Almeida (sobrinhos do casal), a santa vinha em uma grande canoa chamada Turuna, de propriedade do senhor Nabor Santos, enfeitada com flores naturais (geralmente de taxizeiro), pelas senhoras da comunidade e auxiliadas pelo senhor Denizar Mota de Almeida (carpinteiro). Era conduzida por seis bons remadores, sob a proteção da senhora Luiza Seixas. Na segunda canoa, vinha o senhor José Resende marinho, na canoa dos milagres (pagamento de graças alcançadas).

A saída da comunidade era geralmente ás 14:00 horas, e a travessia por volta das 17:00 horas, era feita da comunidade Trindade até a cabeça do Padre. Em seguida, eram dadas algumas voltas em frente a cidade, enquanto eram soltas inúmeras barquinhas com velas, feitas de madeiras ou limão galego cortados ao meio.

A santa era recebida pela população católica em um trapiche feito com madeira de lei, muitos fogos de artifício e ao som de hinos sacros que eram acompanhados pela banda do senhor Antônio Martins (preceptor de uma geração de músicos, entre eles: Antônio Graciliano, Quixote, Osvaldino Moda, Hermógenes Leão, Quarenta, entre outros), em procissão, era levada até a Matriz onde era celebrada a missa e em seguida o arraial. A música continuava em um pequeno coreto construído na praça, enquanto se desenvolviam os leilões com as oferenda doadas pela população.

Após as festividades, o povo tinha como opção as festas dançantes realizadas nos mais diversos clubes sociais, que surgiram no decorrer do século XX: Amazônia Clube; Ideal Clube, também apelidado de Corre Liso, de propriedade do Sr. Brás Bello; 05 de outubro, do Sr. Antônio Santarém; Alegria Clube, do Sr. Antonico Pé de Arpão; Assembleia Recreativa Pauxis – ARP, entre outros.

O círio continuou saindo da residência do casal Marinho Seixas até os meados da década de 40, quando mudaram-se para a capital do Estado. A partir de então passou a sair de outras comunidades.

No ano de 1967, as noites de arraial ganharam mais uma opção com a construção do Cliper de Sant’Ana, por Dom Floriano Loewenau.

Em todos os seus 83 anos de história, o círio deixou de ser fluvial apenas no ano de 1982, diante da exigência da capitania dos Portos (uma embarcação veloz com todos os equipamentos de segurança, incluindo bons nadadores, para cada cinco embarcações que acompanhariam o trajeto), a Coordenação resolveu fazer o círio terrestre, fato este que trouxe grande repercussão e insatisfação a população católica obidense, levando um grupo de jovens a invadir a sacristia e tentar levar a santa sem a autorização da igreja para a realização do círio fluvial, fato este que só não ocorreu porque foram detidos por funcionários da Paróquia. Apesar dos protestos, houve grande participação popular.

Nos círios de 2015/2016, quebrando a tradição, em vez da recepção da santa ser realizada em frente a cidade como acontecia desde 1935, transferida para o bairro Bela Vista, seguindo um percurso de aproximadamente três quilômetros. Inovação está muito aplaudida pela maioria da população católica, visto que pela primeira vez dava oportunidade aos bairro periféricos (Bela Vista e Cidade Nova), de receber a santa padroeira.

No ano 2017, o círio saiu da Paróquia de Oriximiná e a recepção voltou a acontecer em frente da cidade. Neste ano de 2018, a saída é da Paróquia de Curuá, tendo como ponto de chegada, à frente da cidade de Óbidos.

A cada ano que passa, aumenta o número de romeiros oriundos dos mais diversos Estados da Amazônia e do Brasil numa grande demonstração de devoção e fé à Padroeira dos obidenses, aproveitando assim a oportunidade para rever e abraçar familiares e velhos amigos, tornando o momento em grandes confraternizações, fato este que torna a festividade de Sant’Ana uma das grandes manifestações religiosas da região Oeste do Estado do Pará.

ALGUMAS CURIOSIDADES:
- Há 320 anos chegava com os militares em Óbidos, Senhora Sant’Ana (1698);
- Há 260 anos, Sant’Ana é oficialmente a Padroeira do município de Óbidos(1758);
- Há 83 anos comemora-se o Círio Fluvial de Senhora Sant’Ana (1935);
- Há 61 anos, Sant’Ana passa a ser Padroeira da Prelazia de Óbidos (1957).

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