28/05/2018 às 10h14min - Atualizada em 28/05/2018 às 10h14min

Representatividade feminina ganha força na Polícia Militar do Pará

Eu iniciei a minha carreira por uma necessidade de emprego. Aí fui desenvolvendo minhas atividades e me descobri. Foi um mundo novo para mim. Entrei na PM aos 17 anos, logo que terminei o ensino médio

Inf: Agencia Pará
Por: Walmir Ferreira
Foto: Agencia Pará
PARÁ - “Ser mulher é o primeiro desafio”. É assim que Erika Pereira, a primeira mulher à frente do Comando de Policiamento da Capital II, descreve a sensação de fazer parte de uma corporação predominantemente formada por homens. A coronel é uma das cerca de 1.600 mulheres que atuam hoje na Polícia Militar (PM). Aos 41 anos, depois de 24 deles na PM, ela não se sente sozinha nessa missão e na ambição de ocupar cargos de liderança. “Temos outra comandante na PM, a tenente coronel Cíntia Raquel, responsável pelo Batalhão de Policiamento de Santarém”, destaca.

Para Erika, uma motivação dentro da instituição é a importância de falar da mulher. “É, simbolicamente, a gente ter representatividade nos altos postos da instituição. Acho que tem que ter”, reforça.

A coronel conta as mulheres começaram a atuar no efetivo há 36 dos seus 200 anos de existência. Criado em 1982, o primeiro Pelotão Feminino da PM era uma subdivisão composta por apenas 58 mulheres, que não tinham qualquer referência de como se daria essa inclusão nos quadros da corporação. Nesta época, as funções desempenhadas por elas eram relacionadas a ocorrências mais simples, menos estratégicas, a maioria envolvendo crianças e adolescentes, segundo Erika.

Responsável pelo distrito de Icoaraci e pelas ilhas da Grande Belém – Mosqueiro, Outeiro e Cotijuba - ela comanda cerca de 500 militares. Dentre estes, pouco mais de 50 são mulheres. Para chegar a este posto, ela passou por aspirante às patentes de segundo tenente, primeiro tenente, capitão, major e tenente coronel, e teve até a oportunidade de sair da PM, quando passou no concurso para delegada de Polícia Civil em 2007, mas decidiu ficar, por amor à farda e às funções que lhe são atribuídas.

“Na medida em que fui galgando meu espaço, fui gostando cada vez mais”, diz. “Eu iniciei a minha carreira por uma necessidade de emprego. Aí fui desenvolvendo minhas atividades e me descobri. Foi um mundo novo para mim. Entrei na PM aos 17 anos, logo que terminei o ensino médio”, lembra.

Em todos esses anos, Erika acumulou muitas lembranças boas da instituição, mas o mais importante aprendizado foi sobre uma das principais funções que a PM tem: a de interagir com a comunidade.

“É um trabalho constante que nós construímos no dia a dia. É um desafio diário de todos os que enfrentam a criminalidade. É estar sempre chamando a população para o nosso lado, para fazer eles entenderem que sozinhos a gente não vai conseguir vencer a criminalidade, que precisamos da parceria da comunidade, da população”, conclui.

Isso serve, inclusive, de motivação para a coronel atuar junto aos seus homens. Por isso, ela faz questão de sair do escritório toda semana para comandar uma operação. “Até para os policiais sentirem a presença do comando nas operações”.

Mas Erika não comanda só na Polícia Militar. Em casa, no bairro da Cremação, ela cuida de dois filhos, e muitas vezes os deixa para cuidar da população. Divorciada, ela conta com a ajuda do ex-marido, da secretária, da mãe e da irmã.

“Ser mulher nessa função exige um esforço muito maior do que se eu fosse homem, eu sinto isso. Preciso me esforçar mais para fazer as coisas, para o meu trabalho aparecer. Eu costumo dizer que a nossa mochila de soldado é mais pesada, porque, além da vida profissional, temos que dar conta de inúmeras funções que nos são dadas socialmente. Que é ser mãe, esposa. A jornada é dobrada, mas a gente segue firme”, finaliza.

Pioneirismo na Rotam
Além do gênero, ainda é um desafio para a mulher quebrar o paradigma de que a força e a bravura estão atreladas à estatura, peso e estrutura física. Mas a cabo Ana Farias está aí para fazer um contraponto dessa afirmação: com 1,59m de altura e menos de 50 quilos, ela não se deixa intimidar por ninguém. Não à toa. No histórico, ela carrega o pioneirismo de estar entre as primeiras duas mulheres da Rotam – Ronda Ostensiva Tático Metropolitana, uma das duas companhias do Batalhão de Policiamento Tático (BPOT). Dos 22 anos na PM, 16 são na Rotam.

Ana passou por estágio de força tática e se formou na segunda turma deste curso oferecido pelo BPOT. A Companhia era pequena, mas virou Batalhão, e as atividades desenvolvidas, que variam de patrulhamento ordinário nas ruas a revistas em casas penais, demonstram um diferencial. “Nosso trabalho é o ‘primeiro emprego’, que chamam. Tem gente que julga que são os melhores aqui, mas somos iguais aos outros. A Polícia é uma só. A questão é que o treinamento para a Rotam é específico em tudo, instrução, armamento, atividade física”, pontua.

Hoje, com a profissão consolidada e refletindo no espelho uma imagem projetada por muitas mulheres que ingressam na carreira militar, ela conta como tudo começou. “No começo foi difícil, não por todos, mas alguns que tinham receio. Éramos só duas, não tinha alojamento só para mulher. Tinha que dividir tudo”, lembra. “Ninguém acreditava na gente quando entramos na Rotam. Fizeram uma aposta que não íamos conseguir porque somos mulheres”, afirma.

Junto às outras nove mulheres que integram o Batalhão da Rotam atualmente, que conta com outros 207 homens atuando, a cabo segue em busca de marcar o seu espaço. Ana reforça, por exemplo, a conquista do gênero em cargos de liderança. “A mulher já cresceu muito na área militar. A gente já vê mulher comandante, em unidade operacional. Tem gente que ainda vê um impasse. Tem gente que não aceita por sermos mulheres. A mulher tem a mesma capacidade que o homem tem, ela pode desenvolver qualquer papel. E, além disso, ela ainda é mãe, irmã, avó. E ainda cuida de um quartel”, analisa.

Ana acredita que a presença da mulher nos órgãos de segurança pode até deixar as coisas mais humanas, mas diz que é importante dividir bem a emoção da razão, devido ao perfil do policial da Rotam. “Tu tens o teu lado humano, sentimental. A gente tem. Mas nem sempre podemos demonstrar. Tu tens que agir com o teu profissionalismo. O lado sentimental às vezes te faz errar. Temos que agir pelo lado profissional”, pondera.

Entretanto, a dedicação, o profissionalismo e o amor à farda não são sentimentos que se sobrepõem às dificuldades enfrentadas por estas mulheres. Eles caminham lado a lado. Para seguir carreira, tem que ter vocação, pois, segundo a cabo, abrir mão de tanto não é fácil. É preciso carinho pelo papel que o policial desempenha, porque o quartel deixa de ser só um ambiente de trabalho é a segunda família para alguns, a primeira para outros.

“A gente passa o dia todo aqui. Hoje era para eu sair às 9h, mas já são 10h e ainda não saí. Às vezes, a pessoa vem para cá e não tem o perfil, não se adapta à rotina. É correria, treinamento”, diz. “Abri mão de muitas coisas. Não da minha família, porque sempre me apoiou em tudo. Abri mão de estudo. Não é bem abrir mão. Mas tenho três filhas e praticamente a minha vida foi com elas criadas pela minha mãe. Sempre fui só, não tenho marido. Hoje sou só tenho três metas e me dedico muito a elas. Primeiro a Deus, elas, e o quartel. Enquanto o Comando quiser me deixar, eu vou estar aqui”, fala emocionada.

Às centenas de inscritas no último concurso da Polícia Militar – Oficial feminino teve 286,94 candidatas por vaga, e praça feminino registrou 113,76 candidatas por vaga –, ela tem um recado. “Não vale tu seres grande, forte. Às vezes pessoas maiores não têm o perfil. Digo que elas não tenham medo, mas elas têm que querer. Falar ‘eu quero’, ‘meu sonho é estar aí’. Tem que ir pra frente”, incentiva.

Indagada sobre inspirar outras mulheres, ela não parece ligar muito para a vaidade, só na maquiagem, que depois de um turno inteiro estava impecável. Porém, parece que o sentimento de pertencimento àquele ambiente já permite a ela colher bons frutos. A primeira mulher formada no “Curso Operacional Rotam” – antes eram cursos táticos oferecidos pelo BPOT – Natália Lourenço, se inspira diariamente em Ana.

“A cabo Ana é quem eu mais admiro dentro da corporação. Eu me espelho nela. Ela é baixinha, magrinha, mas é muito forte. Eu sempre digo para ela ‘a senhora é um espelho para mim dentro desse batalhão’, afirma Natália, uma dos 38 certificados com o curso, que teve 240 inscritos. É, lugar de mulher é onde ela quiser.
Conheça melhor a rotina dessas admiráveis mulheres:


 

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