13/05/2020 às 16h18min - Atualizada em 13/05/2020 às 16h18min

Óbidos e a Escravidão – Em Óbidos existia o maior número de escravos da região oeste do Pará | Portal Obidense

No dia da abolição da escravatura conheça um pouco da história da escravidão em Óbidos. Quando Óbidos tinha 3.588 habitantes, 1.295 eram escravos

Por: Carlos Augusto Vieira Sarrazin
Foto: Blog do Pe. Sidney
ÓBIDOS - No dia 13 de maio comemoramos 132 anos da Abolição da escravatura no Brasil. Faremos breves comentários cronológicos acerca de tão significativa data, deixando uma reflexão mais profunda, para o livro que muito em breve será editado sobre a história do município de Óbidos.

O sistema escravista tem suas raízes nos povos mais antigos, entre eles, egípcios, gregos, romanos, etc., principalmente através das guerras de conquistas, onde povos derrotados eram submetidos ao trabalho escravo, e tratados como se fossem propriedades do Estado ou de pessoas ligadas a nobreza e grandes latifundiários. Seres humanos eram utilizados como animais na construção de grandes obras, agricultura e também em serviços domésticos.

De acordo com dados históricos, os primeiros escravos africanos chegaram ao Brasil entre os anos de 1539 a 1542 para trabalharem na lavoura da cana de açúcar especificamente na Capitania de Pernambuco.  Acredita-se que em mais de 300 anos de escravidão tenha chegado em todo território brasileiro mais de 3 milhões de escravos africanos, trazidos pelos mais diversos povos, entre eles, ingleses e portugueses.

A vinda dos escravos tinha como objetivo substituir a mão de obra indígena, visto que muitos haviam sido dizimados por doenças trazidas por povos europeus. Por outro lado, com a extinção das missões religiosas o nativo passou a ser considerado cidadão português, não podendo mais ser submetido ao trabalho escravo, salvo através das chamadas “guerras justas”, que eram organizadas contra tribos que se opunham aos ditames da coroa portuguesa.

Na Amazônia, a vinda dos primeiros escravos, segundo Loureiro (2015), remonta ao século XVII, e teve seu apogeu através da Companhia de Comércio e Navegação do Grão-Pará. No ano de 1787 população da cidade de Belém era composta por aproximadamente 50% de escravos e 50% de homens livres.

Óbidos, foi um dos municípios da região que teve o maior número de escravos, e vieram para substituir a mão de obra indígena, principalmente no trabalho da cultura cacaueira. Segundo Reis (1979, pg. 93), “...em 1827, somavam 1.925; em 1834, 1.294; em 1848, 1.402 e 1862, 1.726. Em 1888, no computo oficial de 10.535 escravos existentes na Província, Óbidos figurava com apenas 349! ”. Grande era o número de escravos no município.

 Valendo-me novamente de Reis (1979, p. 95), na segunda década do século XIX, quando o município contava em seu senso populacional com 3.588 habitantes, 1.295 eram escravos, num percentual de 36% da população, o que corresponderia nos dias atuais, em mais ou menos 19.080 habitantes.

Num comparativo feito pelo Jornal O Liberal, datado de 19 de agosto de 1977, mostrando o quadro de escravos na região do Tapajós e Baixo Amazonas, indicava que entre os anos de 1872 a 1873, o município de Óbidos tinha 1.157 escravos; quanto ao município de Santarém, 1.147.

Os escravos que foram trazidos para Óbidos, assim como para outros municípios do Brasil, resistiram a escravidão. Fugiam da casa de seus “proprietários”, e se refugiavam nos lugares mais longínquos do município, como a região do Igarapé Grande, mondongo, afluentes do Rio Trombetas entre outros, e organizavam-se em quilombos.

Viviam da caça, pesca, coleta de frutos silvestres e agricultura. O excedente de seus produtos era comercializado com regatões que desciam e subiam o Rio Trombetas; com holandeses vindos da Guiana através do Rio Cuminá, e na calada da noite com comerciantes locais.

A população escravista trazida do continente africano muito contribuiu na formação econômica, social e cultural do município, através da culinária (maniçoba, feijoada, pamonha, etc.), vocabulário (puxirum, moleque, quitanda, etc.), religiosidade (folias de Santos, terreiros, etc.), musicas, danças (carimbó), medicina (benzedeiras, garrafadas, chás), crendices e superstições.

Atualmente, seus descendentes mantêm suas seculares tradições vivendo em   17 comunidades consideradas remanescentes de quilombos no município de Óbidos, e 36 no município de Oriximiná, organizadas em associações e terras reconhecidas pelo Governo Federal.


 
                                              REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
- Jornal O Liberal, edição de 19 de agosto de 1977.
- LOUREIRO, Antônio. A escravidão na Amazônia. 2015.
- REIS, Arthur Cesar Ferreira dos. História de Óbidos. SECULT, 1979.
        
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