12/10/2022 às 10h58min - Atualizada em 12/10/2022 às 10h58min

Pix a revolução silenciosa que incluiu uma Espanha no mumdo dos pagaemntod online no Brasil | Portal Obidense

A inclusão de mais de 49 milhões de usuários na plataforma dos bancos online[1], quase uma população da Espanha, que tem 47 milhões de habitantes

Da Redação
Rádio Agência Câmara
Rádio Agência Câmara
BRASIL - Nesta edição do programa Papo de Futuro, a jornalista Beth Veloso explica como funciona o PIX, ferramenta de pagamento eletrônico instantâneo e gratuito oferecido pelo Banco Central do Brasil.
 
O PIX já chegou a ser chamado de “a nova jabuticaba brasileira”. Na verdade, o pagamento instantâneo não é uma novidade genuinamente nacional, e já existe em mais de 50 países, com variações. Mas é isso não tira em nada o sucesso da inovação. O PIX, essas três letrinhas que a gente aprendeu a pronunciar nos últimos dois anos, não é apenas uma fantástica jogada de marketing. Ele traz dimensões simbólicas em vários campos da nossa vida.
 
Opa, o que é isso, Beth? Bem, vamos pensar juntos: 1) o PIX oficializou a esmola, que agora está na mesma categoria das gorjetas, do troco do flanelinha, ou seja, ele chegou no chão de fábrica da sociedade, chegou para quem mais precisa, de uma maneira divertida e eficaz; 2) o PIX é a vitória do povo contra o sistema, ou seja, o pagamento eletrônico é livre de taxas; nele, o dinheiro flui, sem ser garfado pelo capitalismo financeiro, embora a pergunta seja: até quando? 3) o PIX é a prova viva de que o Estado funciona, ou seja, a burocracia também revoluciona. Isso dá até mesmo uma rima, não é mesmo? 4) o PIX mostra que a tecnologia, quando bem usada, está a serviço do homem e não do sistema e suas engrenagens de fazer enriquecer aos mais ricos, em desfavor dos desprovidos. Opa, o PIX tirou dinheiro dos bancos, que é o setor que mais lucra na economia brasileira. O PIX conseguiu fazer com que os capitalistas renunciassem, ainda que pouco, às suas margens de lucro. No médio prazo, espera-se que dilua o poder dos operadores de cartão de crédito, que acabam cobrando taxas abusivas dos seus parceiros, taxas essas que são, é claro, repassadas ao consumidor.
 
E porque ele funciona: porque ele é moldado para a sociedade da informação, do conhecimento, a partir de 3 palavras chave: 
  • Interoperabilidade
  • Instantaneidade
  • Velocidade
 
Traduzindo, o PIX faz todos os bancos dialogarem entre si, funciona o tempo todo, e é ligeirinho, a transferência é pá pum. Poderíamos agregar a isso a virtude de ser custo zero, mas, é claro que precisa levar em conta o custo de usar o celular, de pagar a conta da internet da operadora, de entrar no Banco, e é preciso também que você tenha um smartphone que pegue a internet.
 
E, como não poderia deixar de ser, a gente precisa falar aqui sobre segurança. O site especializado em tecnologia Tecmundo disse que o PIX foi usado em quase 30% dos sequestros relâmpagos no estado de São Paulo de dezembro de 2020 a julho de 2021.
 
Então, nessa análise alargada dos efeitos do PIX em nossa sociedade, a interoperabilidade entre as mais de 800 instituições que usam hoje essa forma de pagamento; a inclusão de mais de 49 milhões de usuários na plataforma dos bancos online[1], quase uma população da Espanha, que tem 47 milhões de habitantes; o uso de mais de 500 milhões de chaves, quase 130 milhões de pessoas cadastradas e mais de 11 milhões de empresas fizeram operações PIX faz toda a diferença, quando se considera que essa revolução se passou em pouco mais de um ano.
 
Ah, então quer dizer que a revolução digital no Brasil, já tão tardia, começa por P-I-X? Claro que não, mas é um modelo bastante inspirador para mostrar que, quando o governo investe, quando o governo acredita, quando o governo quer, ele faz. E poderia ser assim também com uma assinatura básica de banda larga para todo mundo. Uma cesta básica da banda larga, assim como o vale gás, o vale eletricidade, o uso do PIX e o vale banda larga. Afinal, bônus para rolar na timeline, ou linha do tempo, do Facebook no celular não é internet de verdade, concorda?
 
O Rodrigo Ghedin, do blog Manual do Usuário[2], lembra que o PIX é uma ferramenta de código aberto, ou seja, colaborativa, o que inspira que a gente pense também em redes sociais, como Facebook, Instagram, Telegram e WhatsApp que conversem entre si, por que não?
 
Afinal, o conceito por trás dessa facilidade é simplicidade! Simplicidade em constate evolução, como é típico das novas tecnologias, com novas funcionalidades que serão agregadas em breve, como PIX Saque, o PIX Troco e o PIX recorrente, e por aí vai.
 
Quanto à segurança, eu vejo dois faróis de alerta quando a gente fala de PIX, e não sei se posso chamar isso de problema, exatamente. O primeiro é a impulsividade. Com essa varinha mágica que faz tudo em fração de segundos, sem termos que digitar conta, agencia, CPF, etc. a gente acaba gastando muito mais, e esse consumismo pode levar o consumidor ao “PIX...espero”, ou seja, o desespero que bate quando a conta fica sem saldo.
 
O outro fator vai naquele velho ditado: a pressa é inimiga da perfeição. E aí, na pressa, a gente manda o dinheiro para outra pessoa, e adeus, somente muito choro no final.
 
Aconteceu comigo. De verdade. Eu não prestei atenção e mandei um PIX para o CPF da faxineira. Mas ela não tinha PIX. Ouve a história: o nome dela estava perfeito no aplicativo do banco, exceto pelo fato de que faltava a preposição de Luiza Maria da... O que ocorreu, então? Uma loja atacadista criou um PIX na conta dela, sem autorização da Luiza, e eu mandei dinheiro para aquela conta que ela nem sabia que existia.
 
É caso de Justiça, certo? Fere totalmente a lei de proteção de dados, a lei do consumidor, várias violações. Mas o que importa é que eu não prestei atenção que o nome completo da dona do PIX estava errado. Ou seja, estava na cara que tinha algo errado!!!
 
Então, as dicas, passadas pelo meu gerente Pedro, são:
 
  • Não fazer transferências solicitadas por um número de telefones que você não conhece;
  • sempre confirmar no seu extrato da conta corrente quando uma pessoa falar que o PIX que você enviou não caiu;
  • evitar transferência em duplicidade;
  • não compartilhar dados pessoais (CPF, número de conta e senhas)
  • não instalar aplicativos a pedido do banco, atenção, o banco nunca irá pedir para você instalar aplicativos de segurança no seu celular;
  • de novo, na dúvida, não ultrapasse, quando estiver com alguma dúvida sempre ligue para o seu gerente (não faça nada com dúvida).
E você vai ser ressarcido se cair no golpe do PIX? Eu perguntei ao gerente Renato, da Caixa, o que fazer quando você cai num golpe de verdade. Por exemplo, alguém fraudou um recibo para fazer de conta que passou dinheiro para você, isso acontece em sites de vendas, como Olx e Mercado Livre, sobretudo com coisas caras, como computador, telefone, TV, que estão muito baratas (o barato é sinônimo, muitas vezes, de golpe), e você entrega o produto sem conferir se a transferência entrou na conta bancária. Diz o jornal Estado de Minas que o falso pagamento lidera a lista de fraudes digitais — corresponde a 42% dos casos, segundo pesquisa que analisou cerca de 20 milhões de contas abertas em plataformas de compra e venda.
 
O gerente disse que, em caso de fraude, ou seja, quando alguém acessa ilegalmente a sua conta e faz uma transferência PIX, por exemplo, é preciso ir no banco e denunciar que foi vítima de fraude, para ter direito ao ressarcimento.
 
No dia-a-dia, os cuidados principais são: conferir se a chave é da pessoa correta e, na segunda tela, conferir se o CPF e o nome completo da pessoa batem com as informações que você tem. Mandar PIX para outra pessoa por engano é caixão e vela preta. Não tem volta. É o buraco negro do azar.
 
Vem por aí o PIX internacional’, que vai permitir transferências de valores entre mais de 60 países, diz o jornal O Globo[3]. O jornalista Guilherme Felitti, no podcast Tecnocracia, diz que o PIX já é mais relevante para a economia brasileira que qualquer criptomoeda[4], que são as moedas virtuais, que não são de papel e estão a parte do sistema tradicional de instituições bancárias. Ele faz uma analogia com as urnas eletrônicas brasileiras, que nos coloca a frente de outros países. Os Estados Unidos já estão querendo importar a ideia, e a Europa também. Esses projetos estão em desenvolvimento. O PIX é a introdução do banco aberto, uma iniciativa do Banco Central que facilitará a portabilidade de serviços financeiros para outras instituições.
 
Na Câmara, vários projetos de lei de deputados tratam desde de assegurar a gratuidade da plataforma, até o agravamento de pena quando o crime de estelionato é cometido por meio de pagamento eletrônico com chave PIX.
 
É a velha regra: toda boa invenção tem o seu avesso. O antídoto para o crime é atenção e menos pressa. Vai dar certo!
 


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