18/04/2022 às 08h16min - Atualizada em 18/04/2022 às 08h16min

Sobre a missão Franciscana em Óbidos | Portal Obidense

A atividade missionária na região de Óbidos ainda hoje carece de maior documentação. Algum novo documento, que aliado a outros já existentes nos fornecem uma id eia de como era a vida missionária em terras Pauxis

Livro Crônica Pauxis V. II
Pe. Sidney Augisto Canto
Foto Ilustrativa: Feita por Apolônio Fona no início da década de 1930, mostrando um grupo de mulheres indígenas da etnia mundurucu, aldeadas na Missão de São Francisco do Cururu, mantida pelos frades da Ordem Franciscana Menor.

ÓBIDOS - Em princípios do século XVIII a missão que ficava próximo ao forte (que na carta é dito na foz do rio Trombetas) estava sem missionário. Até 1710, os  índios da foz do rio Trombetas (pois a missão ficava estabelecida por aquelas redondezas) eram visitados pelo missionário da Aldeia de Gurupatupa (hoje Monte Alegre) que tinha por nome Frei Pedro de Redondo. No entanto, este sacerdote se negou a fornecer índios de Gurupatuba para o comandante do Forte do Tapajós, que iria socorrer a Fortaleza do Rio Negro de uma invasão de castelhanos. Isso fez com que o Rei pedisse o retorno imediato deste missionário a Lisboa, o que foi feito com muito pesar... Por conta disso, tanto Gurupatuba, como a recém-criada missão da foz do Trombetas ficaram sem missionário.
 
O Governador do Maranhão e Grão Pará, Cristóvão da Costa Freire informado do assunto pediu explicações ao superior dos Frades Franciscanos da Província da Piedade, Frei Manoel de Mora (ou Moraes), para que providenciasse missionário para a Missão junto à fortaleza dos Pauxis. Essa cobrança ia de acordo com a repartição das Missões feita por meio de carta Régia no ano de 1693, que confiou aos frades da Piedade o cuidado com os índios do rio Amazonas, em sua margem esquerda (veja a carta régia no texto a seguir).
 
O frade superior das missões negou o pedido ao governador por não haver, segundo consta, frades em número suficiente para atender às aldeias e missões no Grão Pará. Na verdade, parece que havia certa disputa de brios, pois o superior sabia que o Governador queria as missões funcionando para o fornecimento de mão de obra para as construções (inclusive à do Forte Pauxis, que até 06 de outubro de 1707 ainda não havia sido concluído, motivo pelo qual o rei espediu uma carta régia cobrando do construtor, Manoel da Mota, que logo concluísse as fortalezas) e, também, para o uso da guerra contra outros índios ou invasores das fronteiras. E a missão continuava sem missionário.
 
Ao que o mesmo governador recorreu ao Rei no ano de 1712, pois em carta Régi a datada de 17 de janeiro de 1713, o Rei já informava ao Governador que havia mandado ao Provincial dos frades da Piedade (em Portugal) que enviasse novos frades para as missões na Amazônia. O que possivelmente não foi feito, pois em 1715, após nova reclamação do Governador, o Rei expede nova carta Régia, desta vez intimando a que se resolva o caso, sob pena de se repassar a repartição daquelas aldeias da margem esquerda do Amazonas a outra ordem religiosa. Eis a Carta:
 
“Dom João por Graça de Deus Rei de Portugal e Cª. Faço saber a vós Governador e Capitão General do Estado do Maranhão que fazendo-se me presente a conta que me destes, que requerendo da Minha parte a Fr. Manoel de Mora Comissário dos Religiosos de Nossa Senhora da Piedade mandasse um Missionário para assistir na Aldeia que fica junto à Casa forte do rio das Trombetas, o não fizera dizendo não tinha bastantes Missionários com que pudesse prover esta Missão, e as mais que tocavam a Sua Província: Fui servido mandar escrever ao Provincial destes Religiosos trate de mandar os que forem necessários para acudir as Missões da sua repartição, e que não o fazendo assim lhes mandarei tirar, e se entregaram a outros Religiosos que se empreguem nesta cultura conforme convém ao serviço de Deus e Meu, tendo os operários necessários para que se não experimente a falta que representais; de que vos aviso para terdes notícia desta minha resolução, e no caso que os Padres da Piedade sendo requeridos para enviarem alguns Missionários para os sítios, e distritos que são da sua obrigação os não remeterem escusando-se com o pretexto de lhe faltarem Religiosos para as ditas Missões; Me pareceu mandar-vos encomendar por resolução de 22 de junho deste Ano em consulta do meu Conselho Ultramarino, e escolhais de outras Religiões aqueles sujeitos que entenderdes podem ser mais úteis para este ministério, para que se remedeie por este caminho esta falta tão prejudicial. El Rey Nosso Senhor o mandou por João Telles da Silva, e Antonio Rodrigues da Costa, Conselheiros do seu Conselho Ultramarino, e se passou por duas vias.

Manuel Gomes da Silva a fez em Lisboa a 5 de junho de 1715 = E Cª”.





 
 

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