03/08/2021 às 13h39min - Atualizada em 03/08/2021 às 13h39min

Saúde mental ou a rejeição a uma possível derrota | Portal Obidense

Todo mundo sabe que os atletas buscam sempre o melhor resultado. Mas, ter coragem de reconhecer suas falhas e recomeçar é algo louvável, reforça neurocientista Fabiano de Abreu

Por: Jennifer de Paula
BRASIL - Nesta terça-feira (03/08), enfim Simone Biles sorriu. A ginasta mais vitoriosa da atualidade conquistou uma medalha individual nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Nos últimos dias, ela havia dito que seu corpo e mente não estavam em sintonia. Após ficar fora das finais do individual geral, do salto, das barras assimétricas e do solo para cuidar da saúde mental, a atleta voltou a competir nos Jogos e garantiu o bronze.
 
Para o PhD, neurocientista, psicanalista e biólogo Fabiano de Abreu, este feito da ginasta norte-americana comprova que a saúde mental pode ser conquistada, através de autocuidado e autopreservação. “E que, às vezes, ela é usada como desculpa para justificar um outro problema sério na era atual, o narcisismo exacerbado, que fragiliza a saúde mental”, revela.
 
Além disso, ele revela que muitas pessoas usam desculpas para justificar derrotas, fracassos, erros; quando deveriam assumi-los, usando a oportunidade para aprender e demonstrar a verdadeira resiliência e humildade. “Fazendo uso da autenticidade que é uma característica suficientemente forte e positiva para conquistar a admiração de qualquer pessoa. Principalmente por ser rara nos dias de hoje”, acrescenta.
 
Esse gesto de esconder as fragilidades, tão comuns para os atletas (e para as pessoas em geral), é o que Fabiano mostra que “pode estar relacionado à falta de saúde mental, ou apenas um desvio de conduta ou personalidade condicionada pelo reflexo do fanatismo que vivemos hoje. E por falar em fanatismo, este também pode ser uma disfunção na região límbica do cérebro que intercepta a região da lógica”, detalha o neurocientista.

Além disso, essa possibilidade da não aceitação da derrota dos atletas pode estar também relacionada à rede social. “Ser celebridade potencializa o narcisismo e este, por sua vez, causa desordem emocional e inativa a região racional do cérebro. O espírito do 'o importante é competir' precisa prevalecer, já que também é exemplo para as crianças. A rede social transforma atletas em celebridades e isso pode prejudicar não só o espírito olímpico, como também o desempenho. Sob a forte pressão de aparentar perfeição nas performances, conquistando assim a medalha de ouro e o lugar mais alto do pódio”, detalha.
 
Mas numa competição para alguém ganhar, alguém tem que perder. Por isso, Fabiano observa que esses problemas na saúde mental podem ser frequentes, entre competidores, prejudicando o desempenho e, às vezes, impedindo-os de competir. “A fama endeusada desses atletas pode prejudicar a homeostase necessária para o competidor, prejudicando a região do cérebro que orquestra os movimentos com eficiência. Segundo o neurocientista, “o narcisismo é um protetor psíquico, sendo uma tríade: imagem, identificação e energia para a manutenção. Escolha bem a imagem que irá lhe identificar, invista energia mental necessária para bancar esse investimento e aparição. Mas mantenha o equilíbrio para não adoecer. E lembre-se: Todo excesso esconde uma falta”, completa.
 
Diante deste cenário, Abreu deixa um conselho para quem busca sempre o melhor no que faz: “Não se vitimize nem tão pouco se considere imbatível. Somos humanos, oscilamos, erramos e acertamos, perdemos e ganhamos e seguimos nos equilibrando para manter o discernimento entre o certo e o errado, o muito e o pouco. Toda saúde começa na mente, todo adoecimento também começa lá”, reforça.
 
E, além de tudo isso, ele lembra que o corpo emite sinais de alerta, que não podem ser ignorados: “Quando o corpo físico manifesta sintomas, a mente já dava sinais que foram negligenciados. Não poderá haver saúde alguma, se não houver saúde mental. Querer ser herói é um narcisismo exacerbado, se vitimizar é o mesmo narcisismo às avessas. Equilibre-se! Todo atleta necessita manter o “equilíbrio” físico e mental”, finaliza.



 
 
 
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