14/07/2016 às 19h57min - Atualizada em 14/07/2016 às 19h57min

Saiba como foi a heroica conquista do único título da Copa Oeste da seleção obidense

Do vice-campeonato em 1981 ao título em 1987, experiência, força de vontade e determinação marcaram a conquista do único título da Copa Oeste, conquistado pelos obidenses.

Por: Érique Figueirêdo e Walmir Ferreira
Fotos: Arquivo/ Portal Obidense

ÓBIDOS – Na tarde de 20 de dezembro do ano de 1987 a cidade de Óbidos parou literalmente para acompanhar a transmissão pelas ondas do rádio, do jogo que marcaria para sempre a história do futebol obidense, era o segundo jogo da final da Copa Integração, hoje denominada Copa Oeste de Seleções, que anos mais tarde se transformaria no campeonato mais disputado em todo território paraense.

Muitos dos atletas que estavam em campo naquela partida na final de 1987, haviam amargado o vice-campeonato da antiga Copa do Baixo Amazonas, que depois passou a se chamar Integração. O ano era 1981 e a final foi disputada contra a forte seleção de Santarém. No primeiro jogo em Óbidos 1 a 0 para os visitantes, no jogo de volta em Santarém no extinto Estádio Elinaldo Barbosa, empate em 0 a 0 e o título ficou com a seleção mocoronga.

O elenco do vice-campeonato de 1981 era formado por: Barbosa, Nilton, Arnaldo, Pica-Pau, Patarrão, Jorge Barbado, Amarildo, Pincha, Bicada, Valdir e Pinguim. Reservas: Rui da Antartica, Betão, Bimbim, Duvico, Tótó da Mundaita, Remo e Bainha, Técnico: Paulinho Pirão, Pres. da LDO – Arlan Carlos Corrêa, Massagista: Tatu

Seis anos depois, Óbidos novamente disputava uma final, dessa vez contra Monte Alegre. Na época quem informava os obidenses de todos os lances era a Rádio Atalaia AM, que tinha como slogan “Essa é a Atalaia do Esporte a Mais Forte”, na transmissão ao vivo direto do campo do Norte Clube na cidade de Monte Alegre, os comunicadores narravam a batalha épica entre as seleções finalistas, que ficou marcada já na primeira partida, realizada uma semana antes no Estádio General Rêgo Barros na cidade presépio.

O elenco obidense que precisava de uma vitória ou de um empate para decidir o título no pênaltis, por conta de uma confusão na primeira partida da final, não relacionou Valdir, Pica- Pau, Calhambeque, Gró, Remo e Nilton, por questões de segurança.

Sabendo da força do time adversário, a diretoria da Liga Esportiva Obidense naquela época, fez manobras impensadas para a atual realidade do futebol, e relacionou de forma irregular os jogadores

Ariramba (lateral direito) e o Duri (Paulo Cersar), que foram treinados para falsificar suas assinaturas e assumir outras identidades.

Óbidos respirava futebol naquela época, Mariano e Paraense duelavam no Estádio Rêgo Barros, o esporte cativava crianças, jovens e adultos, famílias inteiras iam ao campo para prestigiar e torcer por seu time. A base da seleção foi formada a partir desses dois times.

O selecionado obidense, uns dos melhores times já formados em todos os tempos da história da seleção, teve em seu elenco grandes jogadores que se transformaram em heróis do título que são:

Antônio Camilo, Sarará, Keka, Maurinho, Nilton, Bimbim, Dury, Gró, Amarildo, Pincha, Bilhar, Bicada, Gico, Duvico, Dilsinho, Pingüim, Junior, Ariramba, Dente e Remo. A seleção tinha ainda Calhambeque, Pica-Pau e Valdir que já faleceram.

A delegação era formada por Dr. Fé (médico), Renato Martins (representante na FPF) e Cabanela, o técnico era Nonato Aquino, Preparador físico Prof. Adriano, Tio Luí (tesoureiro), Paulo Futti (roupeiro), Espoca e Gabriel Bentes (massagistas), Gerônimo Cerdeira (pres. da LDO), Ronilson Amaral “Marreca” (vice-pres. da LDO), Jonas Cordeiro Viana “Júnior do Fórum” (Diretor de Esportes), Haroldo Figueirêdo (diretor de relações públicas da LDO), Gracildo Moreira (secretário LDO),

O jogo histórico

Com o desfalque dos jogadores titulares do selecionado obidense, a situação ficou tensa, e o jogo foi dramático. Logo ao 9 minutos do primeiro tempo Monte Alegre faz 1x0 em cobrança de pênalti, Polaco

marcou para os donos da casa. Poderia ser o começo de uma goleada da seleção de Monte Alegre que motivada sufocou na etapa inicial, mas a seleção de Óbidos se comportou bem e segurou o jogo.

Com o resultado favorável aos montealegrenses, a torcida, comissão técnica, o prefeito e as demais autoridades de Monte Alegre que acompanhavam a partida, já pediam o fim do jogo e se preparavam para a grande festa da vitória.

Mas aos 42 minutos do segundo tempo, em um lance de falta a favor de Óbidos, Pinguim jogou a bola na cabeça de Pincha que escorou no canto esquerdo do goleiro, para delírio geral na cidade de Óbidos e desespero dos donos da casa. Era o gol do empate, fim de jogo 1x1 e a decisão foi para as penalidades.

Antes do jogo, o goleiro titular da seleção de Óbidos era o Keka, tendo como seu reserva Antônio Camilo, este era um dos lideres do grupo e também atuava como técnico, depois do abandono do atual técnico Paulinho Pirão, que foi substituído por Nonato Aquino.

Em um discurso fervoroso, Camilo, tomou a decisão que nessa final ele entraria jogando e Keka, titular absoluto ficaria no banco pela primeira vez, Camilo chamou a responsabilidade para si e cumpriu com o seu dever.

Na dramática e nervosa decisão nos pênaltis, Antônio Camilo defendeu duas cobranças que garantiram a conquista do primeiro e único título de Óbidos até aqui, do torneio de seleções do Baixo Amazonas.

Os jogadores de Óbidos que cobraram as penalidades foram: Maurinho, Bilhar, Amarildo e Ariramba.

Em Óbidos o povo se preparou para receber os heróis do titulo, porém o ônibus que trazia toda a delegação da seleção pregou na estrada, os jogadores tiverem que abandonar o veículo e caminhar pela estrada por várias horas até a chegada do outro ônibus, por conta disso a delegação chegou a Óbidos quase um dia depois do previsto, nesse período todos já haviam se recolhido para suas residências e o jogadores tiveram que comemorar sozinhos a conquista do título.

Dificuldades

Para quem não sabe da história, a seleção foi praticamente abandonada pela administração municipal daquela época. A falta de dinheiro e de apoio quase fez com que os obidenses desistissem de disputar a final, dando então o título a seleção de Monte Alegre.

Nesse meio termo surge, Felinto Marinho, conhecido por Dr. Fé, que bancou a viagem e disse aos jogadores. “Nós vamos para Monte Alegre, não sei como, mas vocês irão defender nossa cidade, mesmo que para isso eu tenha que pagar todas as despesas”.

Isso deu mais forçar para todos os jogadores que passaram a treinar todos os dias incansavelmente, fazendo trabalho físico no campo do Belém, o tático no estádio Rêgo Barros e como resistência corriam da praça de Sant’Ana até o aeroporto de Óbidos.

A Liga Desportiva Obidense (LDO) na pessoa de Gerônimo Cerdeira, também destinava toda a renda dos jogos em Óbidos para as despesas da seleção, antes de chegar à final Óbidos deixou para trás as s

eleções de Santarém, Alenquer, Oriximiná, Itaituba e por ultimo Monte Alegre.

Em 2013 o Portal Obidense conversou com Brito, conhecido como Bilhar um dos heróis do título que cobrou um dos pênaltis na decisão. Perguntado sobre o que ele esperava do futebol obidense, o craque que hoje mora em Manaus disse. “Torço pelo futebol obidense, me sinto muito triste, pois não existe mais jogadores como naquela época, espero que eles consigam dar a volta por cima, para resgatar as tardes de domingo o grande clássico entre Mariano x Paraense”, parece que os deuses do futebol ouviram os apelos do ex-jogador.

Assim deixamos registrado aqui a batalha no campo do Norte Clube entre as Seleções de Óbidos x Monte Alegre, uma história que jamais poderá ser esquecida, e que serve de inspiração para a atual geração escrever um novo capítulo no próximo sábado em Prainha.

Observação: A matéria foi produzida a partir de relatos de pessoas que vivenciaram as histórias narradas aqui, a eventual ausência de nomes ou citações de fatos e pessoas que fizeram parte dos momentos contados nesta matéria, podem ocorrer, devido a não informação de nossas fontes. 


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