14/11/2018 às 22h31min - Atualizada em 14/11/2018 às 22h31min

Polícia Civil deflagra operação "Washed Bread" para combater esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas em Santarém

Delegado Fonseca de Orximiná e sua equipe da polícia civil participaram dessa operação onde Foram cumpridos 31 mandados - 25 no Pará e seis no Amazonas

Informações da Polícia civil
Por: Márcio Garcia
Foto: Policia Civil
SANTARÉM - Uma operação de combate à lavagem de dinheiro foi desencadeada nos Estados do Pará e Amazonas, nesta segunda-feira (12). Batizada de "Washed Bread" (tradução em português: "Pão Lavado"), a operação apontou para o desempenho de atividades criminosas de empresários, alguns ligados ao ramo de panificação, em relação ao tráfico de drogas. Segundo as investigações, as movimentações financeira e patrimonial não são compatíveis com a atividade desempenhada. Foram cumpridos 31 mandados - 25 no Pará e seis no Amazonas. Em Santarém, oito pessoas foram presas, quatro delas em flagrante por tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de munição.

Pelo menos, quatro empresas de Santarém são alvos das investigações que apuram um esquema que pode chegar a aproximadamente R$ 25 milhões em movimentações financeiras ilegais. Dinheiro do tráfico de drogas que estaria abastecendo diversas contas bancárias.

Durante a operação, que conta com o apoio da Superintendência de Polícia Civil do Baixo Amazonas, Delegacia do Interior, Núcleo de Inteligência Policial e Secretaria Executiva de Inteligência do Estado do Amazonas, um ex-servidor da Câmara Municipal de Santarém foi preso.

"Um empresário foi servidor comissionado na Câmara Municipal, até março de 2017, e verificou-se que, através de documentações já obtidas com a Câmara e análises feitas, ele efetivamente não laborou durante o período, configurando o crime de peculato", informou o delegado Rafael Augusto de Andrade, um dos responsáveis pela operação, durante coletiva de imprensa realizada no auditório do Centro de Governo do Baixo Amazonas, no final da manhã desta segunda-feira. A entrevista coletiva foi presidida pelo delegado Silvio Maués, diretor de Polícia do Interior da Polícia Civil, e delegado Fernando Rocha, diretor do NIP (Núcleo de Inteligência da Polícia Civil).
 
Os delegados Nelson Nascimento, superintendente regional do Baixo Amazonas; Silvio Birro e Rafael Andrade, do NAI de Santarém, e Germano do Vale, de Santarém, também participaram da coletiva. A operação foi realizada pelo Núcleo de Apoio à Investigação do Baixo Amazonas (NAI de Santarém) sob coordenação do Núcleo de Inteligência da Polícia Civil (NIP) da Polícia Civil. A investigação é presidida pelo delegado Rafael Augusto de Andrade do NAI de Santarém. Ao todo, 55 policiais civis estão em atuação na operação para dar cumprimento dos mandados judiciais na região. A ação policial conta ainda com apoio de agentes do SEAI (Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência) do Amazonas.

Associação criminosa
A Polícia Civil classificou como "associação criminosa" o esquema descoberto a partir de sete meses de investigações. Empresários usavam empresas ligadas ao setor de panificação, por exemplo, para lavar dinheiro do tráfico de drogas, praticando valores abaixo de mercado, aumentando substancialmente seu patrimônio. "São investigados hoje crimes de peculato, tráfico e associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, essencialmente dado o grande volume movimentado nessas contas correntes em exíguo espaço de tempo. Não há uma evolução patrimonial compatível com as atividades empresariais desenvolvidas”, reitera Rafael Andrade.
 
De acordo com a Polícia Civil, as empresas investigadas têm ligação com o setor de gêneros alimentícios, refrigeração e, também, como o ramo de motocicletas. “Algumas empresas foram abertas de direito, mas fechadas de fato e algumas já fechadas efetivamente, mas que também se utilizaram para fazer esse mecanismo de lavagem”, destacou o delegado. A Polícia Civil continua a cumprir mandados de prisão, busca e apreensão.

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