14/04/2018 às 17h48min - Atualizada em 14/04/2018 às 17h48min

Na comunidade Boa Vista, Rio Cuminã em Oriximiná, o povo Quilombola se reuniu para a celebração da Festa da Ramada.

Um resgate cultural e a experiência da partilha como acontecia com seus antepassados a vivência entre a tradição e o sagrado.

Por: Márcio Garcia

ORIXIMINÁ – Com vários significados em sua tradição o povo Quilombola, tradicionalmente se reúnem para celebrar a vida, a fartura e agradecer a Deus em uma grande festa e celebração que eles chamam de Ramada.

A Ramada segundo o professor e historiador José Felipe Lobato é a reunião dos comunitários para a celebração de seu povo, antigamente como não existia salões de festas eles se reuniam e armavam um barracão, mas para fazer isso tinha que seguir os rituais, até para pegarem a palha no mato que serviria para cobrir o barracão, tinha seu ritual, assim acontecia com a madeira.

Após o barracão pronto, logo pelo início da manhã, após as ladainhas, quilombolas vindo de vários locais de suas comunidades se reúnem para o café da manhã, onde todos contribuíam com o que produzem, trazendo alimentos e iguarias de sua cultura, bejú, chocolate de cacau, tapioca, banana, assim também como as bebidas produzidas por eles manicuera, caxiunas.

A reunião se estende até a hora do almoço com muita comida e todos que chegam sempre trazem alguma coisa, nada e pago tudo é colocado em comum em uma imensa família.

Ao iniciar a tarde, um dos rituais mais importante da festa é a preparação para a derrubada do mastro, que é confeccionado por várias pessoas de idades diferentes, incluindo as crianças que são observadas atentamente para que possam entender o significado de tudo e manter a tradição de seu povo.

Todas as frutas que são utilizadas no mastro, que é o símbolo da festa são e devem ser colhidas na roça das famílias quilombolas, serve como pedidos para que no próximo ano tenham em abundância. Em sua derrubadas, quem deve começar a contar ou dar as primeiras machadadas são as crianças uma espécie de ligação e transmissão de cultura entre gerações. Todos os símbolos do mastro devem ser observado, por exemplo quem pegar a bandeirinha que fica na ponta do mastro, será o capitão e responsável do mastro para o próximo ano.

Existe a parte religiosa que são as ladainhas, para isso os mais antigos passam para os mais novos, qual é o santo e vão especificando no ritual da ladainha todas as informações dos vários santos.

No final, voltam se reunir no barracão para o jantar, onde os juízes da festa coordenam e é ofertado um ou mais bois em sinal de fartura tudo é divido em comum gratuitamente.

Depois do jantar tem o início da festa dançante, com as apresentações culturais onde cada comunidade traz uma dança típica do povo quilombola, e ai o grande baile entre os povos que também é cheio de ritual.

Na hora da festa, lamparinas são colocadas em uma viga no meio do salão um ritual centenário, que com a luz se divide as mulheres dos homens cada um em seu lado. Primeiro as crianças depois, inicia dos adultos, mas isso precisa de uma permissão do mestre de salão que é quem dá o comando do início da festa, nesse momento os homens (cavaleiros) vão até ao lado onde estão as mulheres (damas) e a convidam para dançar, porém se ela recusar ela é retirada do barracão e proibida de participar da festa, que são tocados vários ritmos, como Lundum, Xote, Valsa.

Hoje a prefeitura tem uma participação muito importante para a realização do evento inclusive o próprio prefeito participou do evento com outras autoridades. Entre elas estava a vereadora Josy Seixas que é muito participativa nas atividades culturais do município e falou como o Portal Obidense: “É uma felicidade muito grande, eu em quanto vereadora todos os anos eu venho nessa festa da Ramada, é um resgate da cultura quilombola, mas da nossa cultura, pois nós brasileiros somos descendentes da cultura afro. Ai agente diz “O que é um povo sem cultura?” o povo sem cultura é um povo sem identidade! Então estamos felizes... vendo as crianças que estão aqui, já participando de tudo isso, com a certeza de passar de geração em geração”.

A importância de uma reunião como essa é tão grande que pesquisadores e estudiosos culturais, professores de universidades aproveitam para fazer pesquisa sobre a tradição, religiosidade, cultura e povo.     

 

 

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