24/10/2023 às 10h19min - Atualizada em 24/10/2023 às 10h19min

Equipe de marketing ligada a Lula ajudou Sergio Massa na Argentina

Especialistas em marketing político ligados a Lula e ao PT estão entre os responsáveis pelo desempenho do peronista no 1º turno. Colaram o radicalismo de Bolsonaro em Milei com temas como armas e ataques à democracia

Da Redação
Correio Braziliense
Marqueteiros brasileiros trabalham para ligar o maior adversário de Massa ao extremismo e à violência - Foto: Marcos Correa/PR

ARGENTINA - A vitória do ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, no primeiro turno das eleições presidenciais, refletiu, em parte, uma estratégia que teve participação direta de um grupo de brasileiros ligados ao PT. Pelo menos quatro marqueteiros que atuaram em campanhas eleitorais do partido estão em Buenos Aires, há mais de um mês, para ajudar os estrategistas da equipe de Massa na briga contra o candidato da ultradireita Javier Milei.

Os profissionais de marketing político levaram para a disputa na Argentina a experiência das duas últimas eleições presidenciais no Brasil, que tiveram, no segundo turno, a presença de um petista — Fernando Haddad, em 2018, e Lula, no ano passado. Integram a campanha de Massa os marqueteiros Otávio Antunes, Raul Rabelo, Halley Arrais e Chico Kertesz.

Antunes fez a campanha do hoje ministro da Fazenda Fernando Haddad para o governo de São Paulo, no ano passado. Ele também participou do time de marketing do esquerdista Gustavo Petro, que venceu a disputa presidencial na Colômbia.

Rabelo esteve na campanha de Lula, em 2022, assim como Arrais, que ainda atuou na campanha do atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, que se candidatou pelo PT ao governo do Rio Grande do Sul. O baiano Kertész, filho do ex-prefeito de Salvador Mario Kertész, também esteve no time de Lula, em 2022.

Os quatro se dedicam, especialmente, à guerra de narrativas nas redes sociais, à produção de conteúdos e à análise de dados. A estratégia é ligar Milei à imagem negativa de Jair Bolsonaro — que manifestou entusiasmado apoio ao candidato.

Nas últimas duas semanas, os argentinos foram bombardeados por peças publicitárias que associam o ultradireitista ao ex-presidente brasileiro em questões como ataques às instituições democráticas e à proposta de liberação de armas para a população civil. Uma das peças que circularam nas tevês e redes mostra uma criança, na sala de aula, tirando um revólver da mochila junto com livros e cadernos.

Também foi trazida para a campanha eleitoral, poucos dias antes do pleito, falas em que Milei ataca diretamente o papa Francisco, que é argentino. Ele acusou o sumo pontífice de ter "afinidade com comunistas assassinos".

Contatos

Apesar da expectativa do Palácio do Planalto de que Massa confirme a vitória no segundo turno, em 19 de novembro, o Ministério das Relações Exteriores costura pontos de diálogo com Milei — e a pedido da própria equipe do ultradireitista. Fontes na diplomacia argentina confirmaram ao Correio que emissários do ultradireitista estiveram com representantes brasileiros em Buenos Aires.

"Milei entrou em contato com a embaixada dos Estados Unidos, de países europeus, asiáticos e, agora, do Brasil. Ele disse que pararia de fazer negócios com países que considera comunistas, como China, Cuba, Nicarágua e Brasil. Voltou atrás e falou que era o seu governo que deixaria de fazer acordos políticos com essas nações, mas que a iniciativa privada continuaria negociando, se quisesse", disse o diplomata argentino.

Para ele, as relações entre os dois países não devem mudar de forma significativa, caso Milei vire o jogo no segundo turno. Lembra que alterações mais profundas precisam da aprovação do Congresso argentino — o que não deve acontecer, por exemplo, no caso da proposta de ruptura com o Mercosul.


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