Manoel Azevedo - Manduquinha

Tributo ao senhor Manduquinha, 101 anos de vida: Parabéns meu Dileto amigo!

ÓBIDOS - Manoel Azevedo dos Santos popularmente conhecido como Manduquinha, nasceu no Município de Óbidos, no dia 03 de Maio do ano de 1917 na comunidade Matá, neto de ex-escravos, não chegou a conhecer seu pai. Foi o segundo dos sete filhos de dona Raimunda Azevedo dos Santos, também natural de Óbidos, nascida na mesma comunidade.

Manduquinha casou-se aos trinta anos de idade com a senhora Elza Ribeiro dos Santos, que na época tinha 17 anos, e também era natural de Óbidos, nascida na comunidade do Matá, com quem teve 14 (quatorze) filhos. Não frequentou escola pública, aprendeu a ler e escrever com um cidadão também descendente de escravos chamado professor Tonéca, que lecionava em uma residência particular.

Nos anos de 1918 a 1919, devido a um surto de impaludismo (malária, ou gripe espanhola?) na região, perdeu cinco irmãos. Aprendeu a tocar violão de ouvido, nunca frequentou uma escola de música.

Ainda Jovem, no ano de 1946, viajou para Manaus e de lá para o Rio Branco, onde foi trabalhar no garimpo do Maú.No mesmo ano, foi para a Guina Inglesa, trabalhar no garimpo de Libaro. Em 1952, viajou para Porto Velho, de onde seguiu para Rondônia, para o garimpo do Rio Machado. Com a interrupção dos trabalhos devido à cheia, foi trabalhar na extração da borracha. No ano de 1954, foi para Cuiabá, onde trabalhou no garimpo do Rio Arino, de onde seguiu para os garimpos do Rio Manso e Rio Tipagi, no Estado do Paraná. Trabalhou no Estado de São Paulo e Minas Gerais, no garimpo de Jequitinhonha, até Julho de 1958, de onde retornou para Óbidos e casou-se no dia 12 de Setembro. No Município de Óbidos no período de 1960 a 1970, desenvolveu suas atividades laborais no plantio e colheita da Juta.

Decorria o ano de 1975, mudou-se para a cidade juntamente com sua família atendendo a um convite do amigo Mané Reges, que muito o ajudou, primeiro com um lugar para trabalhar e morar, em seguida, com o empréstimo de um carro de boi. Carro este que o seu Manduquinha veio a comprar, e a partir de então, trabalhou como carroceiro até o ano de 2008.

No ano de 1980, a pedido do senhor Urbano Iúdice, então presidente das festividades do Sagrado Coração de Jesus, Padroeiro do Bairro da Cidade Nova, organizou um grupo de treze (13) pessoas, para tocarem nas noites no arraial, foram eles: Manoel Azevedo (Manduquinha), no violão; Raimundo Barbosa, na viola (rebeca); Manoel (Bebé), no bandolim; Nonato Amorim, no violão; Marechal, no cavaquinho; Milton, na viola; Piau Piau, na sanfona; Zeca Lourinho, na sanfona; José Lages, no pandeiro; Joaquim Lavinha no cavaquinho; Enoque, no Bumbo e Bereco, na Viola (rebeca). Nascia assim, o conjunto musical “Pau e Corda”.

Terminada as festividades, o grupo reduziu-se a cinco componentes: Manoel Azevedo, no violão; Raimundo Barbosa, na viola; Nonato Amorim, no violão; Joaquim da Silva, no cavaquinho e Bebé, no bandolim. Esse grupo de cinco integrantes passou a ensaiar na residência do senhor Manduquinha. A ideia de se apresentarem na Rádio Atalaia, foi do senhor Bebé, devido a um convite do senhor Armando Fonseca, proprietário da rádio. Com a morte do senhor Nonato Amorim e do senhor Bebé, passaram a fazer parte do grupo o senhor Miguel Venâncio, no banjo; e o senhor Riri, cantor e no pandeiro, além dos senhores Milton, na viola; José Laia, pandeiro e viola; Raimundo Garcia, no tambor e José Baima, no cavaquinho, se apresentavam esporadicamente.

O programa na Rádio Atalaia ia ao ar aos domingos e, tinha a duração de duas horas. Sendo que o conjunto Pau e Corda se apresentava durante uma hora, e na hora seguinte, o conjunto acompanhava o senhor Riri no programa “Boêmios da Saudade”.

Durante o período de 1980 a 1998, o conjunto “Pau e Corda” se apresentou em algumas comunidades do município, tais como: Curumú e Cipoal, e cidades como: Juruti, Oriximiná e Belém (1988). Abriam o Festival Folclórico de Óbidos, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura na Administração do Prefeito Haroldo Tavares, onde permanecia durante todo o festival a disposição dos demais grupos folclóricos. Acompanharam ainda os Cordões da Garcinha, Arara, Boi Bumbá e blocos de rua.

Segundo declarações do senhor Manduquinha, o grupo terminou por falta de apoio, não houve mais o patrocínio para o transporte e nem ajuda financeira para o lanche.   

No ano de 2017, ao completar 100 anos, recebeu uma homenagem do Poder Legislativo Obidense, e uma grande festa oferecida por seus familiares na sede do Poço Renascer, onde recebeu como presente maior, o abraço fraterno de seus filhos, amigos e admiradores. (Informações biográficas prestadas pelo senhor Manduquinha em sua residência no ano de 2015, ao professor Carlos Vieira)

Do autor

Aproveito o momento, a oportunidade para prestar uma singela homenagem a esse homem humilde, simples, que aprendeu na escola da vida o sentido do amor, da amizade e do companheirismo, que com sua sapiência nos dá um belo exemplo de vida, e que muito contribuiu e tem contribuído com para a perpetuação cultural de nosso município. Que o Grande Pai Celestial, derrame suas benções sobre ele, e que possa permanecer com saúde por muitos anos, junto a seu familiares e amigos.                                                                             

FELIZ ANIVERSÁRIO, DILETO AMIGO!

*Prof. Esp. Carlos Augusto Sarrazin Vieira: Licenciado Pleno em Pedagogia, Universidade Federal do Pará. Licenciado Pleno em Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará. Licenciado Pleno em História pela Universidade Cidade de Guanhães, MG. Pós-Graduado em Pedagogia Escolar pela Faculdade de Táhirih, AM. Pós Graduado em Metodologia do Ensino da História e Geografia na Educação Básica, Faculdade Internacional de Curitiba. Aperfeiçoamento de professores em Filosofia, UFPá, e Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Pará – IHGP.

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