25/07/2016 às 16h04min - Atualizada em 25/07/2016 às 16h04min

Encontro reúne grupos que mantém viva a tradição das Folias de Santo em Óbidos

Evento teve como objetivo o resgate das manifestações centenárias e definiu a organização de novos encontros

Por: Érique Figueirêdo
Fotos: Érique Figueirêdo

ÓBIDOS – As tradicionais Folias de Santo, ganharam destaque na programação cultural da Festividade de Sant’Ana, com o primeiro Encontro de Folias, evento que dedicou um dia inteiramente para as atividades dos grupos que mantém viva essa tradição centenária, remanescente de comunidades quilombolas, localizadas no interior do município de Óbidos, no oeste do Pará.

A programação realizada pela Associação Cultural Obidense (ACOB) e a Coordenação da Festividade, iniciou na manhã de domingo (24) com a chegada das folias ao cais do porto. De lá, os grupos seguiram em procissão pelas ruas do centro da cidade até chegar a Praça de Sant’Ana, onde foi feita a apresentação das “puxações” de ladainhas (músicas em louvor aos santos) e do hasteamento do mastro, símbolo da gratidão dos foliões a fartura de alimentos nas comunidades.

A tarde foi dedicada a uma roda de entrevistas com os integrantes das folias. Representantes de diversos segmentos da sociedade participaram desde momento realizado para levar ao conhecimento do público, o surgimentos dessas manifestações culturais e a origem da devoção aos santos, além de servir como espaço para os relatos das dificuldades para a manutenção dos grupos.

Participaram do encontro as folias de Nossa Senhora do Rosário da comunidade Patauá do Umirizal, Santo Antônio do Mondongo, São Benedito do Silêncio, São João do Flexal, Santa Maria do Paraná de Baixo, e São Tomé da Comunidade Arapucú.

As apresentações mostraram toda a riqueza e a diversidade dos rituais de devoção religiosa e profana, que demonstram não só a fé, mas a riqueza de um povo que tem nos seus antepassados, a força necessária para manter viva a cultura e a identidade das comunidades quilombolas.

Comandada pelos capitães foliões acompanhados dos demais integrantes dos grupos, as apresentações foram marcadas pelos movimentos das bandeiras, coreografias e o som das ladainhas, ritmadas pelos músicos e seus instrumentos artesanais.

O professor e historiador Carlos Vieira, que participou do encontro, destacou a importância do evento para o resgate da cultura obidense e a manutenção das folias. “Nós precisamos a muito tempo de ações como essa, para resgatar essa parte cultural que já havia sido esquecida, e hoje nós temos aqui a maioria das folias que ainda existem no nosso município, infelizmente muitas já não existem mais, então esse evento é uma forma de mostrar a sociedade obidense a necessidade de mantermos viva essas manifestações culturais”.

A importância do evento para a preservação dessa manifestação, ficou evidente com o resgate da folia de Nossa Senhora do Rosário da comunidade Patauá do Umirizal, que a 38 anos

estava desativada. Para participar do encontro, uma nova formação foi organizada em apenas três dias. “A gente tá buscando o resgate dessa folia na nossa comunidade, pra que continue e com certeza daqui pra frente a gente vai trabalhar pra manter essa folia viva, pra mim e pra nossa comunidade é uma alegria muito grande essa ela tá sendo resgatada”, disse Manoel Rabelo, capitão folião da folia de Nossa Senhora do Rosário.

Os grupos realizaram no final da tarde de domingo o ritual de derrubada do mastro, que foi acompanhado por dezenas de pessoas, que além de assistir, puderam participar do momento, desferindo machadadas no mastro e degustando as frutas que o enfeitaram, como manda a tradição. A noite os foliões ainda participaram da procissão em homenagem a Sant’Ana.

Além da troca de experiências, o encontro serviutambém para definir o futuro das folias e o local do próximo evento. “Durante o encontro ficou definido que a ACOB [Associação Cultural Obidense

] abraçará a causa e daqui pra frente será a responsável pela conservação das folias do nosso município. Ficou estabelecido que no dia 5 de outubro, quando a comunidade Silêncio festeja São Benedito, será realizada uma reunião com os representantes das folias juntamente com representantes da ACOB e demais pessoas interessadas no assunto, pra que a gente faça uma nova mesa redonda para definir a data do encontro do ano que vem”, disse Jorge Ary Ferreira, coordenador do encontro.

Origem

Introduzidas no Brasil por portugueses, ainda na época da colonização, as folias são de fato de origem egípcia, levada à Europa por espanhóis e adaptadas à cultura religiosa cristã. Os portugueses reinventaram as folias e as trouxeram para o Brasil. Nessas terras, as folias ganharam novos contornos culturais. Na Amazônia, as folias de reis são festejos que tomaram forma nos ambientes quilombolas. Em Óbidos, ocorrem as folias de santos, que se diferenciam das folias de reis realizadas nas pequenas cidades, sobretudo, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás. Enquanto os grupos foliões de reis dessas cidades comemoram os festejos de Natal visitando casas, tocando músicas em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo, as folias de santos em Óbidos são realizadas nas datas celebrativas do santo protetor da comunidade quilombola.

Texto sobre a origem das folias - Prof. Itamar Rodrigues Paulino


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