01/04/2022 às 17h03min - Atualizada em 01/04/2022 às 17h03min

Atentados, agressões e intimidações. Aumenta a violência contra comunicadores | Portal Obidense

É o que mostra a mais nova edição do relatório “Violações à Liberdade de Expressão”, da Abert

Por: Anderson Scardoelli
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BRASIL - O Brasil registrou pelo menos 230 ataques — entre verbais e físicos — contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação no decorrer de 2021. O número, que representa crescimento de 21,69% desse tipo de violência no comparativo com o ano anterior, consta na mais nova edição do relatório “Violações à Liberdade de Expressão”. Organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o material foi divulgado na última semana.

No relatório, a Abert aponta que, apesar da quantidade de jornalistas e empresas de mídia que foram alvo de ataques, ocorreram 145 casos de violência não letal no Brasil ao longo do ano passado. Casos letais? Nenhum, mas por enquanto. Tal estatística pode, no entanto, sofrer alteração. Isso porque a entidade segue monitorando o desfecho das investigações do assassinato de radialista Weverton Rabelo Fróes. Em abril de 2021, Toninho Locutor, como o profissional era conhecido, foi assassinado em frente à casa onde morava, em Planaltino (BA). Caso o crime seja definido pelas autoridades responsáveis como relacionado ao trabalho dele na comunicação, o relatório passará a contar — infelizmente — com uma morte.

Com o caso de Toninho Locutor em aberto, por ora, 2021 se junta a 2019 como os dois únicos anos em que a Abert não identificou nenhum assassinato motivado diretamente por trabalhos realizados na imprensa do país. O relatório da associação tem sido realizado, anualmente, desde 2012.

Presidente da Abert, Flávio Lara Resende afirmou, ao apresentar o material para a imprensa, que, apesar do crescimento de casos, ataques contra profissionais e empresas do meio não têm sido exitosos em termos institucionais. De acordo com ele, mesmo sendo alvo constante, o jornalismo segue sendo farol de credibilidade, com direito a atuar com protagonismo no combate às fake news.





A liberdade de imprensa não aceita retrocessos — Flávio Lara Resende, presidente da Abert

“A violência sistemática contra o jornalismo crítico e independente tenta minar, sem sucesso, a credibilidade da imprensa profissional, barreira eficiente contra a propagação de notícias falsas e parte fundamental para as democracias”, declarou Flávio Lara Resende. “A Abert lembra que a liberdade de imprensa não aceita retrocessos”, posicionou-se o presidente da entidade.


Violência por tipo

A Abert organizou a atual edição do relatório “Violações à Liberdade de Expressão” em nove tipo de casos: ofensas, agressões, intimidações, ameaças, atentados, injúrias, ataques/vandalismo, censura e roubos/furtos. Os responsáveis pelo material observam, no entanto, que decisões judiciais contra jornalistas e veículos não entraram na lista — sendo que foram registrados 29 pareceres nesse sentido.

Ofensas

A parte classificada como ofensas liderou. Foram registrados 53 casos, com um total de 89 comunicadores e veículos como alvos. No volume de vítimas, o número de 2021 representou aumento de 30,88%. Detalhe: 92% desse tipo de violência foram praticados por políticos ou demais ocupantes de cargos públicos.
Agressões

Em 2021, as agressões físicas formaram o segundo tipo de violência mais comum no Brasil contra representantes da imprensa. Segundo a Abert, 34 situações desse tipo foram registradas, com 61 jornalistas agredidos (crescimento de 3,39% em relação a 2020). Chutes, pontapés, socos e tapas entram na contabilização feita pela entidade.

Intimidações

O volume de intimidações também cresceu — 4% — no comparativo com a edição anterior do relatório. Dessa forma, esse tipo de violência teve 26 casos registrados no país ao longo do ano passado. Quando considerado o número de vítimas, os números são ainda maiores (e impactantes): 43 profissionais tiveram o trabalho interrompido, foram recebidos aos gritos ou mesmo impedidos de continuar cumprindo o dever de informar. E isso representa aumento de 43,33%.

Atentados



Em questões percentuais, a quantidade de atentados contra comunicadores dobrou. Ou seja: cresceu 100% de um ano para o outro. De quatro atentados identificados pela Abert em 2020, o número saltou para oito em 2021. “Chamam a atenção não apenas pelo aumento significativo no número de casos, que dobrou em relação ao ano anterior, mas pela maneira como foram executados, muitas vezes, com o uso de armas de fogo”, observou a entidade em seu site oficial.

Violência virtual contra jornalistas

Nenhum dos nove tópicos computados diretamente pela Abert levam em considerações violência cometida exclusivamente nos ambientes digitais. Nesse sentido, a entidade encomendou um estudo específico à Bites, empresa de análise de dados. E os números foram alarmantes (ainda mais quando considerados que representaram queda de 54% no comparativo com 2020). Palavras de baixo calão, expressões depreciativas e pejorativas dirigidas à imprensa e aos jornalistas estiveram presentes em 1,46 milhão de postagens divulgadas em redes sociais. Na média, seriam cerca de 4 mil ataques virtuais por dia, ou quase três agressões por minuto.

Esse quadro não deve se repetir em 2022 com a eleição presidencial e a polarização que irá tomar conta do universo digital — Manoel Fernandes, presidente da Bites

Presidente da Bites, Manoel Fernandes não demonstra confiança com a possibilidade de queda nos registros de ataques virtuais contra comunicadores e empresas de mídia do país. “Esse quadro não deve se repetir em 2022 com a eleição presidencial e a polarização que irá tomar conta do universo digital, incluindo tentativas de desconstruir as narrativas da mídia profissional”, pontua o executivo.

Brasil na “zona vermelha” da liberdade de imprensa

Em meio à divulgação da edição 2022 do relatório “Violações à Liberdade de Expressão”, a equipe da Abert destacou, ainda, que pela primeira vez em duas décadas o Brasil entrou para a chamada “zona vermelha” do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, da organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (ONG RSF). Da 107ª posição, o país foi para 111ª — numa lista com 180 países e, assim, passou a figurar no mesmo bloco de nações como Bolívia, Filipinas, Índia, Nicarágua, Rússia e Turquia.

Disponível gratuitamente, a íntegra do relatório da Abert pode ser conferida diretamente no site da entidade (basta clicar aqui).

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