21/03/2016 às 09h17min - Atualizada em 21/03/2016 às 09h17min

A Via-Sacra - Via-crúcis (do latim Via Crucis, "caminho da cruz")

A devoção da Via Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos como a paixão de Nosso Senhor, a partir do Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário.

Da Redação
Foto: Portal Obidense

Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.

Primeira Estação - Jesus é condenado à morte

Senhor Jesus, por que Vos condenaram à morte? Que foi que fizestes que merecia a morte? Curaste doentes, alimentastes famintos, ressuscitastes os mortos, perdoastes aos pecadores, respeitastes as autoridades, trabalhastes para o bem da humanidade, fostes humilde, manso, bondoso, misericordioso. Por que esta sentença tão cruel e humilhante?

“... O nosso orgulho, inveja, egoísmo, covardia, comodismo, calúnias, apego exagerado pelas coisas deste mundo Vos condenaram. Eis aqui o segredo da injusta sentença. Tenho que perguntar-me: o que eu fiz com Cristo? Não O condenei, por acaso, a morrer?”

Segunda Estação - Jesus toma a cruz aos ombros

Cristo, eis a Vossa cruz. Será que esta cruz é Vossa?

“...Na verdade ela é nossa. Assumistes a nossa cruz. A grandeza e o peso desta cruz cresceram dos nossos pecados, que destruíram a ordem do amor. Todos os pecados do mundo nos Vossos

ombros. O mundo grita, xinga, critica, está rindo em sua loucura... Cristo sofre e caminha em silêncio para nos salvar”.

Terceira Estação - Jesus cai por terra

As forças estão se esgotando. Calor, solidão. A terra parece mover-se. Cristo tropeça, perde o equilíbrio e cai. Sente a terra, a poeira na boca. O peso da cruz o sufoca.

“... Nós partimos cheios de confiança e um dia caímos. Percebemos no nosso caminho uma flor, uma ilusão e tivemos tanta vontade de levá-la. Então paramos, traímos o caminho difícil e ficamos longe do caminho de Cristo”.

Quarta Estação - Jesus encontra-se com Sua Mãe

Quanta dor da Mãe neste encontro. Ela vai com seu Filho. Ela vai na multidão despercebida, preocupada com seu filho. Não fala, vai junto com Jesus, preocupada com todos nós.                                                   

“...Cristo, mostrai-nos Vossa Mãe humilde e dolorosa para nos comovermos e nos convertermos. Ajudai-nos a caminhar juntos com nossos irmãos, participar dos problemas deles, sofrer com eles como sofreu Maria”.

Quinta Estação - Cirineu ajuda a carregar a cruz

Simão de Cirene, o Cirineu atravessava o caminho por onde Cristo carregava a cruz. Pararam-no, o primeiro, desconhecido... Cristo aceita a ajuda. Aceita uma ajuda forçada de um homem teimoso. Deus Onipotente e Todo-poderoso permite que o homem o ajude.

“... Nós também precisamos dos outros. Nosso caminho é também duro e perigoso demais para podermos vencê-lo sozinhos. E tantas vezes, orgulhosos, afastamos as mãos que nos querem ajudar”. 

Sexta Estação - Verônica enxuga o rosto de Jesus

Verônica olhava para Seu rosto. Rosto sujo, cansado. Cabelos grudados com poeira, sangue e suor. Estremeceu em si, não podia esperar mais. Na presença dos soldados e inimigos enxugou o rosto de Cristo. O rosto doloroso de Cristo imprimiu-se no pano e no coração.     

“...Precisamos olhar o Cristo, para nos tornarmos um pouco semelhantes a Ele. Passamos tantas vezes ao lado de Cristo e nem sequer olhamos para o rosto dele”.

Sétima Estação - Jesus cai pela segunda vez

Cristo está no fim das suas forças. O peso da cruz, o calor, o caminho em subida, as forças se esgotam, o cansaço cresce. Cristo cai de novo por terra. São os pecados horríveis que o oprimem.     

“...Tão depressa acostumo-me a praticar o mal. Falta de fidelidade, falta de prudência. Não enxergo mais nada. Estou caído, desanimado. Não vejo os outros no caminho, meus olhos fechados, meus ouvidos surdos. Mas tenho medo de ficar assim. Sei que essa não é a posição digna, humana”.

Oitava Estação - Jesus consola as mulheres piedosas

As mulheres choram, lamentam, vendo Cristo. Não podem ajudar, limitam-se a chorar. Têm pena de Cristo.

“... Cristo, embora cansado, percebeu-as, ouviu-as. É mais conveniente chorar os nossos pecados, porque a causa da via dolorosa de Cristo são nossos pecados. Dignos de lamentação somos nós, pecadores. Perceber os pecados dos outros é sempre mais fácil do que chorar os nossos”.

Nona Estação - Jesus cai pela terceira vez 

Cristo cai de novo. Os soldados batem. Cristo não se mexe. Senhor, morrestes?!

“... Ainda não, as forças quase acabaram. Restou ainda um pedacinho do caminho: dois, três passos... Neste estado isso é quase impossível. Senhor, caístes a terceira vez, mas já no alto do Calvário onde vão levantar a cruz. Nós também caímos de novo. Sempre estamos caindo. Às vezes duvidamos se poderemos levantar. Mas vendo-Vos ao nosso lado, recuperamos as nossas forças e certamente venceremos com Vossa graça”.

Décima Estação - Jesus é despido das Suas vestes

Cristo não tinha mais nada a não ser uma veste. Mas isto foi ainda demais. Agora não existe mais nada entre o corpo de Cristo e a cruz. Os homens uniram a cruz e o corpo para sempre.

“... Cristo, Vossa veste era comprida, digna da pessoa humana. Nós precisamos abandonar também as vezes, vestes provocantes, indecentes, para que possamos defender nossa dignidade humana”.

Décima Primeira Estação - Jesus é pregado na cruz

Cristo estendido na cruz, cobre-a perfeitamente para ser unido perfeitamente a ela. Os pregos atravessam o corpo. Cristo permite que o homem apanhe brutalmente as mãos e os pés dele e os pregue na cruz. Agora nenhum movimento é possível.

“... Nós também precisamos aceitar a nossa cruz na hora presente. Não podemos escolher. Temos que aceitar a nossa cruz. Ela é pronta, feita para meu tamanho, feita dos meus sofrimentos. Temos que apegar-nos a ela”.

Décima Segunda Estação - Jesus morre na cruz 

As três horas de agonia são tão compridas, parecem sem fim. Mas compridas do que três anos, do que trinta anos de vida. Tudo preparado. Cristo morre. A vida para, o coração não bate mais. O coração grande como o mundo -- o mundo de pecados que carrega em si.

“... O mundo talvez ainda não saiba, mas, inconscientemente, estende os braços gritando: salvai-nos, salvai-nos, Senhor, não podemos mais viver assim, tirai-nos do pecado”.

Décima Terceira Estação - O corpo de Jesus é depositado nos braços da Mãe

A Vossa obra, Cristo, é consumada. Os pregos são desnecessários. Agora podeis descer e descansar. Devagarinho descem-no da cruz. A Mãe recolhe-o nos seu braços. Tanta dor atravessou a sua alma.

“... Nós também estamos cansados, vamos adormecer um dia para sempre. Mas em que estado vamos morrer?”.

Décima Quarta Estação - Jesus é depositado no sepulcro

Cristo é depositado no sepulcro. Na entrada, uma grande pedra. Os amigos não podem mais ajudar. Resta a esperança na ressurreição.

“... Nossa ressurreição será no fim do caminho. Embora o caminho seja difícil, sabemos que Cristo espera por nós na sua glória”.

Décima Quinta Estação: Jesus Ressuscitou

Deus Pai não o abandonou na habitação dos mortos nem permitiu que a sua carne conhecesse a decomposição. Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente. Na manhã do domingo da Páscoa, o sepulcro estava vazio porque Deus Pai não abandonou Jesus na habitação dos mortos.

“...A Ressurreição é o fundamento da nossa fé. É a primeira e a mais importante verdade em que acreditamos. A partir da morte de Jesus Cristo na cruz foi realizada a purificação de todos os nossos pecados. E pela sua  Ressurreição nos foi dada a vida eterna”.

Por volta de 200 anos atrás a Igreja Católica decidiu adicionar a décima quinta estação, para que os cristãos recordassem que seu Salvador havia vencido a morte e que a Via Sacra não termina na morte e sim na vida nova.


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