14/07/2019 às 11h15min - Atualizada em 14/07/2019 às 11h15min

O Círio traz a alegria, paz e o reencontro do obidense com sua fé, com seus familiares, com sua cultura e culinária em Óbidos

Por: Eduardo Figueira Eduardo Figueira
ÓBIDOS - Hoje, 14.07.2019, Óbidos amanheceu em festa. Mais um de tantos outros Círios de Sant’Ana. Festa que atravessa longos anos e é sempre feita com muito amor e carinho pelos obidenses.

Momento muito propício para os filhos de Óbidos que moram distantes, aproveitarem esse período de julho para rever os amigos que ainda residem e os outros que procuram Óbidos como destino.
É um mês muito gostoso de estar em Óbidos, sem esquecer, evidentemente, de reaviar a fé em Sant’Ana a padroeira de todos os obidenses e, para muitos pagarem promessas pelas graças alcançadas.

É evidente que quando se chega à Óbidos é impossível não ganhar alguns quilos a mais. Óbidos tem as suas especiarias exclusivas e muitas delas carregadas em calorias. Por exemplo, quando vou à Óbidos, antes, porém, procuro fazer uma dieta para que quando estou em Óbidos não fique com a consciência pesada e feliz com o estômago cheio.

Esqueço tudo e mergulho no prazer de um belo tacacá, uma maniçoba "diet", um delicioso caruru, um (pitiú) assado, sarapatel de tracajá e de tartaruga, aquela deliciosa farofa do casco da tartaruga e se for possível, ainda, detonar uma dúzia de ovos de tracajá com farinha. (Vou fazer uma pequena pausa para tomar um pouco de água, ufa!) e já pensar em jantar umas duas linguiças assadas.
 
Mas tem um pequeno problema. Para o preparo dessas iguarias precisam de pessoas que tenham a arte de saber preparar e aqui aproveito a oportunidade para relembrar verdadeiras mestras nessa arte.


A arte delas era tão bem feita que entre 100 pessoas, talvez tivesse uma que não tivesses gostado, mas divirjo daquela máxima de que “toda unanimidade é burra,” porque nesse caso era quem não gostasse.
 
Não sei se esqueci alguém, mas recordo das seguintes mestras: Valdéia Tavares, Lucidéia Savino, Zuzu Aquino, Maria do Joel, Helena Guerreiro, Luzia Figueira, Helena Mendes, Áurea Figueira (falecidas), Edith Aquino, Marcilene Grandal, Dionéia Iúdice, Zozó, Carminha Amaral, Sinira Amaral, Malena Guerreiro, Maria Alice Aquino, Clélia Guerreiro, Ricardina Azevedo, etc. Acrescento ainda as manas Graça e Rita, cunhadas Rozália, Nazaré e a minha esposa Di que faz um Bacalhau à Portuguesa sem igual.

Por fim, ainda garoto, apreciava a minha mãe (Áurea Figueira) a quem a chamava carinhosamente de princesa, quando ela estava assando um pitiú. Era um verdadeiro ritual; primeiro com água quente despelava as poucas peles do bicho e depois colocava na brasa para assar. Na medida em que ia surgindo rachadura no casco, ela aparava a gordura que escorria pelas fendas. Depois virava para outro lado e para o outro. Depois assava os lados, colocava de cabeça para baixo e depois para cima e tendo sendo sempre o cuidado de aparar a gordura. Depois de totalmente assado, como uma cirurgiã, ela retirava o fel, porque se a bolsa do fel estourasse não tinha cristão que comesse. Como a família era grande, ainda operava milagre. Desfiava, acrescentava a gordura recolhida e misturava em uma grande panela de arroz e com as suas mãos santas distribuía nos pratos de cada um. Que delícia!

Peço perdão se fiz escorrer água da boca daqueles que tiveram paciência de ler até o final.
Senhora Sant’Ana rogai por todos nós.
Antonio Eduardo de Andrade Figueira

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