09/10/2023 às 09h10min - Atualizada em 09/10/2023 às 09h10min

Brasil lidera ranking de peso da conta de luz no orçamento dos consumidores

Brasileiros comprometem em torno de 4,54% da renda apenas para pagar a conta de luz, mais da metade de países semelhantes

Da Redação
Gazeta do Povo
Brasileiros comprometem em torno de 4,54% da renda apenas para pagar a conta de luz, mais da metade de países semelhantes.| Foto: Sebastião Moreira/EFE

BRASIL - O Brasil está no topo de um ranking que avalia o impacto das contas de luz no orçamento dos consumidores em comparação com 33 nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o chamado "clube dos ricos". De acordo com um levantamento elaborado pela Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres), os brasileiros comprometem, em média, 4,54% de sua geração de riqueza anual com o pagamento da tarifa residencial, o maior valor entre os países analisados. 

Essa porcentagem está significativamente acima das nações europeias, como Espanha (2,85%), Alemanha (1,72%) e Luxemburgo (0,35%). Também é superior à de economias emergentes, como Chile (2,65%) e Costa Rica (2,76%). 

A análise considerou as tarifas residenciais de 2022, com base nos dados da Agência Internacional de Energia, e o PIB per capita calculado pelo FMI para o mesmo ano. 

Victor Hugo iOcca, diretor de Energia da Abrace, destacou a necessidade de reavaliar os custos no setor elétrico brasileiro. De acordo com ele, o levantamento “demonstra que precisamos rediscutir os custos no setor elétrico brasileiro, porque ele está distorcido para os consumidores locais em comparação aos de outros países quando consideramos a renda”, disse em entrevista à Folha de São Paulo publicada nesta segunda (9). 

O brasileiro pagou, em média, US$ 34 (R$ 176,50) por 200 kWh no ano passado, um valor próximo ao desembolsado pelo polonês, que foi de US$ 34,39 (R$ 178,50). No entanto, a renda per capita no Brasil estava em torno de US$ 9 mil (R$ 46,7 mil), enquanto na Polônia era o dobro, US$ 18 mil (R$ 93,4 mil), resultando em uma parcela menor da renda comprometida, 2,26%. 

O estudo também destacou que a Turquia, com um PIB per capita próximo ao do Brasil (cerca de US$ 10 mil ou R$ 51,9 mil), teve um custo de energia quase pela metade do brasileiro, US$ 17,90 (R$ 93), representando 2% da renda.

Os especialistas da Abrace ressaltaram que a variação no custo da tarifa depende das fontes de energia utilizadas. Enquanto as energias renováveis estão se tornando mais competitivas, fontes como carvão, nuclear e gás natural tornaram-se mais caras, devido também a fatores geopolíticos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, que pressionou os preços do gás. 

No entanto, a matriz energética brasileira é baseada na geração hidrelétrica, o que não ajudou a baratear a conta de luz. No Canadá, por exemplo, que também tem uma produção semelhante – cerca de 60% - a conta em 2022 custou US$ 10 (R$ 51,91), enquanto que no Brasil foi de US$ 24 (R$ 124,60), segundo a Abrace. Os canadenses tiveram um impacto de apenas 0,54% na renda. 

Paulo Pedrosa, presidente da Abrace Energia, enfatizou que os tributos e subsídios, que já representam 40% do preço final, sobrecarregam a conta


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