06/12/2023 às 16h26min - Atualizada em 06/12/2023 às 16h26min

Velocidade de afundamento do solo de Maceió sobe após dias de queda

Nova nota da Defesa Civil indica aumento da velocidade. O local continua isolado e com risco iminente de desmoronamento do terreno

Da Redação
Correio Braziliense

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A região que está afundando foi completamente desocupada e bloqueada para toda a população -Foto: Reprodução/X @pretinhadomingi

MACEIÓ - Um novo relatório divulgado pela Defesa Civil de Maceió, na tarde desta terça-feira (5/12), revelou um aumento na velocidade de afundamento da mina número 18 no bairro de Mutange, mantida pela empresa Braskem. A região agora está afundando a uma taxa de 0,27 cm/hora, ou seja, 0,01 a mais do que o registro anterior. O ritmo de afundamento vinha desacelerando desde o dia 21 de novembro. O deslocamento vertical acumulado já afundou 1,86 metros do solo, evidenciando um movimento de 6,2 cm nas últimas 24 horas. A mina, explorada para extração de sal-gema, apresenta um afundamento do solo que representa alto risco de colapso.

A Defesa Civil também determinou uma mudança no status de “alerta máximo” para um grau inferior de “alerta”. Essa decisão foi baseada na evolução dos dados e no comportamento do solo nas últimas horas.

“Na prática, isso significa que saímos de um risco iminente de colapso para um estágio de menor gravidade, mas que ainda requer atenção. O monitoramento continua sem parar. Com trabalho e união, vamos superar mais esse desafio”, disse o prefeito de Maceió.

As autoridades recomendam que a população evite transitar na área desocupada até novas atualizações da Defesa Civil. Estão sendo aplicadas medidas de controle e monitoramento para reduzir os riscos.

Os dados, fundamentados em análises sísmicas, indicam uma diminuição no ritmo de deslocamento em comparação com registros do último fim de semana. Contudo, o cenário continua preocupante, com avaliação constante da possibilidade de colapso nos bairros de Mutange, Pinheiro e Bebedouro, que foram os mais afetados por abalos sísmicos recentes.

Na sequência de eventos relacionados ao afundamento do solo, observou-se uma queda consecutiva ao longo dos dias. Inicialmente, na manhã de sexta-feira (1/12), a velocidade de afundamento atingiu 2,6 cm/hora, mas ao final do dia, já apresentava uma desaceleração de 1 cm/hora. No sábado (2/12), houve uma nova redução para 0,7 cm/hora, seguida por outra queda para 0,3 cm/hora no domingo (3/12). Na tarde de segunda-feira (4/12), a velocidade se manteve em 0,26 cm/hora.

Para o geólogo e especialista em geoconservação Silas Costa, o fenômeno atual envolve o deslocamento do solo, onde camadas inferiores estão passando por um colapso, afetando as camadas superiores até atingir a superfície. Além disso, na dificuldade em retardar naturalmente o deslocamento, ele ressalta a natureza imprevisível da situação, apontando para variações ao longo do tempo.

“Isso realmente não tem controle, existem vários fatores geológicos que controlam e pode ser que esses fatores não estejam no controle do ser humano”, observa o geólogo.

Em nota, a Agência Nacional de Mineração (ANM) declara que vem acompanhando regularmente a implementação do plano de fechamento das minas da Braskem em Maceió e que, em virtude dos eventos microssismos, houve o isolamento do acesso ao entorno da área da mina 18. O Correio entrou em contato com a agência para mais informações sobre o histórico de fiscalização das minas, mas não obteve retorno.

Braskem se mostra ciente do problema, mas apático com as consequências perigosas que a extração de sal-gema de suas minas tem sobre a região e população de Maceió. A empresa petroquímica global não é 100% privada. Segundo informações disponíveis na Bolsa de Valores de São Paulo, dados indicam uma divisão de pouco mais de 50% das ações ordinárias, que conferem direitos de opinião na gestão do negócio, que estão sob a posse da Novonor, anteriormente denominada Odebrecht, enquanto a Petrobras detém uma participação equivalente a 47%.

Possivelmente o maior desastre de mineração do Brasil

O especialista Silas comenta que para evitar que o solo ceda, o processo realizado pela Braskem deveria bastar, mas frente a situação atual, os esforços não teriam mais efeito. “No estado que está, eu não acredito que seria viável devido a desestabilização geotécnica de toda a área”. Silas acredita que se tivesse havido uma auditoria melhor sobre o método de lavra, possivelmente a situação poderia ter sido evitada. “Porém, quem paga a conta é o povo. Quem acaba sendo responsabilizado pela tragédia é a população”, adiciona.

“A situação pode ser considerada o maior desastre relacionado à mineração no Brasil. A quantidade de pessoas afetadas, a área urbana que vai ser completamente perdida e a área ambiental que é frágil são preocupações”, finaliza Silas.

Relembre o caso

Os registros de afundamento e rachaduras nas casas das localidades onde se encontravam as minas da Braskem começaram em 2019, o que obrigou a empresa a fechar a extração de sal-gema da região. Os moradores da região se viram sem opção a não ser sair de seus imóveis, causando um problema a mais de 55 mil moradores.

No final do mês de novembro deste ano, novos abalos sísmicos foram registrados na localidade, especificamente na mina de número 18 do bairro de Mutunge, acionando um sinal vermelho de possível colapso do solo. A área já foi completamente desocupada e os arredores bloqueados para toda a população.

 

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