29/10/2021 às 16h41min - Atualizada em 30/10/2021 às 00h00min

Três desafios fundamentais na implantação de políticas de ESG

Será que existe um caminho seguro para as companhias lançarem papéis na Bolsa lastreados em ESG? Conheça os principais pontos a serem trabalhados

SALA DA NOTÍCIA Edvaldo Almeida
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Pixabay
A sigla ESG, que remete à Ambiental, Social e Governança, está dominando a agenda da maioria dos grupos empresariais no mundo todo. Somente em Setembro, empresas como Suzano, Movida, B3 e Rumo anunciaram, segundo o jornal O Estado de São Paulo, operações para captação de recursos no mercado financeiro internacional vinculadas a critérios ESG. Além das cifras bilionárias captadas em dólares por essas empresas, em conjunto, a demanda por papéis nestas operações foi cerca de quatro vezes maior, demonstrando a robustez de um mercado que cresce vertiginosamente.

Mas será que existe um caminho seguro para as companhias alcançarem um ponto de maturidade que as permita fazer o lançamento de papéis lastreados em ações de ESG? Normalmente, tais papéis possuem cláusulas de remuneração adicional caso as metas estabelecidas para o ESG não sejam atingidas. Isso pode significar um risco considerável para as organizações. Então, como garantir que as metas sejam alcançadas e evitar o pagamento de bônus aos investidores direto dos cofres das organizações?

Existem diversos pontos que precisam ser trabalhados internamente nas organizações até que se tenham as condições necessárias e seguras para fazer as tão necessárias captações de recursos no mercado financeiro e alavancar a empresa.
Aqui estão elencados os três principais desafios aos quais as empresas devem estar atentas no que se refere à implementação de um programa de ESG sob a ótica da área Ambiental:
  1. Amplo engajamento corporativo e do ecossistema que orbita ao redor organização
Recentemente, em matéria publicada pelo jornal Valor Econômico, o presidente da Ambev afirmou que falar abertamente sobre o tema ESG tem sido fundamental para reforçar o compromisso e o engajamento da empresa.

Na verdade, para que as ações de ESG sejam realmente efetivas, é fundamental a criação de uma ampla agenda que envolva não somente o corpo executivo, mas todos os stakeholders. A empresa precisa criar estruturas que possam envolver e monitorar as ações de ESG junto a seus colaboradores, parceiros e fornecedores, garantindo que tal agenda em torno do tema seja controlada e amplamente executada.

Isso faz com que a empresa possua elementos de gestão dos diversos canais, conexão com as normas que norteiam o tema e um amplo processo de aquisição de dados que permitam uma visão de curto, médio e longo prazos para as metas de ESG.
  1. Dados confiáveis
Cada estrutura de ESG é lastreada em diversos índices e programas que visam nortear as ações da empresa, tais como ISE B3, RenovaBio, Indicador Ethos, entre outros. A função destes índices é exatamente fornecer uma base de análise para todas as ações específicas e monitorar o objetivo de toda a jornada ESG, de tal forma a fornecer ao mercado uma visão clara de cada organização, seu desenvolvimento e a evolução em torno da agenda de ESG.
Portanto, seja para apresentação ao seu mercado consumidor, construindo conexão com clientes, seja para efeito de captação de fundos junto ao mercado financeiro, a obtenção de dados confiáveis se torna imperativo para as organizações. Neste sentido, muitos são os desafios.

Nas análises que fazemos junto a nossos clientes, notamos claramente diversas dificuldades. Entre elas, destacamos:
    • Os dados encontram-se pulverizados em diversos sistemas – ERP´s, MES (Manufacturing Execution Systems), Bancos de dados, Equipamentos de Campo, Planilhas, entre outros.
    • Os dados são coletados manualmente, oferecendo oportunidades para falhas e erros na aquisição.
    • Inconsistência das informações apresentadas.
Todas essas dificuldades representam riscos para a organização. Ao apresentar dados pouco confiáveis, a empresa fica a mercê das análises seja dos seus clientes ou dos analistas de investimentos.

As formulações das estratégias de ESG passam fundamentalmente pela adoção de sistemas de gestão que facilitem a aquisição de dados, diretamente do banco de dados ou, até mesmo, através de um sensor (IoT), com uso de API´s, sistemas de RPA ou outros instrumentos tecnológicos. Eliminar a aquisição manual de dados é parte fundamental para trazer confiabilidade ao programa de ESG.
  1. Geração de Relatórios e Gestão de Indicadores em Tempo Real – KPI´s
Muitas empresas fazem uso de consultorias para a emissão de relatórios de ESG. Evidentemente, contar com a assessoria de empresas sérias para construção de programas de ESG é parte fundamental da estratégia das grandes organizações. Entretanto, não estamos aqui falando simplesmente de se construir um relatório a ser encaminhado ao mercado. Estamos falando de uma estratégia ampla que irá lastrear o programa de sustentabilidade de toda a organização. Para tanto, estabelecer conjuntos de indicadores de performance é questão de sobrevivência quando o assunto é ESG. A razão de existir destes indicadores é promover as ações e as tomadas de decisões dentro de um espectro amplo de atuação e envolvendo os diversos stakeholders participantes do programa.

Embora exista, sim, uma dinâmica de longo prazo na construção de um programa efetivo de ESG, a análise de dados e dos indicadores em tempo real é fundamental para evitar potenciais riscos de acidentes, sejam estes ambientais ou mesmo na área social ou de governança. Mais uma vez, o uso da tecnologia no que se refere à gestão e integração das informações é ponto essencial e precisa ser estruturado de forma responsável no âmbito das organizações.

Um sistema de gestão de indicadores de ESG vem suprir essa demanda fornecendo todo o “workflow” para o processo, com seus analistas, aprovadores e gestores, de tal maneira que as ações possam ser gerenciadas em tempo real, maximizando a análise dos dados, identificando potenciais riscos ao processo e proporcionando uma visão ampla dos objetivos e metas no curto médio e longo prazos. Além disso, através de sistemas de geração de relatórios totalmente customizáveis a organização pode formatar uma comunicação extremamente assertiva da sua Jornada ESG para qualquer necessidade que tenha.

Mais do que boa vontade, engajamento e marketing, a Jornada ESG passa fundamentalmente por uma estrutura de gestão, automatização da aquisição de dados e um sistema que forneça uma visão ampla e em tempo real de todos os eventos relacionados ao tema, para que as ações sejam efetivas e os dados, confiáveis.

*Edvaldo Almeida é Diretor Comercial da MarketTrends, master coach pelo Center for Advanced Coaching dos EUA, mentor pela Universidade GE, professor da FGV nos cursos de MBA e pós-graduação, especialista em negociação pela Harvard Law School, pesquisador e membro do Observatório de Líderes da Fundação Dom Cabral.

 
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