MANAUS (AM) – O jornalismo do Amazonas vive um momento de profunda reflexão e consolidação de direitos. Em participação especial no programa "As Melhores do Povo", apresentado pelo jornalista Walmir Ferreira, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (Sindjor-AM), Wilson Reis, fez um balanço das recentes vitórias econômicas da categoria, detalhou a mobilização nacional pela aprovação da PEC do Diploma e alertou para a responsabilidade ética do profissional de imprensa diante da proliferação de narrativas e fenômenos como a pós-verdade no ambiente digital.
Valorização profissional: Piso salarial ganha fôlego com reajuste histórico
Uma das principais pautas celebradas por Wilson Reis durante a entrevista foi a conquista de um expressivo aumento salarial para os jornalistas que atuam no estado. Após intensas negociações e mediações jurídicas, a categoria assegurou um ganho real que elevou o piso da profissão, representando um acréscimo de R$ 2.400 mil na remuneração dos trabalhadores da mídia.
Para o presidente do Sindjor-AM, a vitória vai além das cifras: representa o reconhecimento do papel indispensável do jornalista na sociedade e estabelece um novo patamar de dignidade para o exercício da profissão no Amazonas, servindo de estímulo para que os profissionais continuem desempenhando suas funções com independência e dedicação.
A luta pela PEC do Diploma: Defesa da formação e da qualidade técnica
Outro tema central abordado no estúdio foi o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Diploma. Reis destacou a mobilização da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e dos sindicatos estaduais para restabelecer a obrigatoriedade do diploma de nível superior em Jornalismo para o exercício da profissão, critério que havia sido derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009.
O líder sindical argumentou que a exigência da formação acadêmica não é um mero capricho corporativo, mas sim uma garantia de que a sociedade receberá uma informação tecnicamente apurada e eticamente tratada. Segundo ele, a formação específica prepara o profissional para lidar com a complexidade social, dominando técnicas de checagem, redação e responsabilidade civil, diferenciando o jornalismo profissional da simples difusão de conteúdos opinativos ou informais.
O jornalismo na era da tecnologia, das narrativas e da "pós-verdade"
Provocado por Walmir Ferreira sobre os rumos da comunicação no atual cenário tecnológico, Wilson Reis trouxe uma reflexão cirúrgica sobre os perigos da "pós-verdade" e a banalização das informações nas redes sociais. No ecossistema digital contemporâneo, os fatos objetivos muitas vezes perdem espaço para crenças pessoais e apelos emocionais, criando "narrativas" moldadas para engajar, e não para informar.
Nesse contexto hiperconectado, Wilson Reis apontou que o maior desafio do jornalista hoje é manter-se como o farol da verdade factual. O uso de novas tecnologias e ferramentas digitais deve servir para expandir o alcance da notícia, mas jamais para flexibilizar o rigor ético. Ele reforçou que, em tempos de desinformação em massa (fake news), o jornalismo profissional, pautado pela técnica e pelo compromisso social, torna-se ainda mais essencial para a manutenção da democracia.
Ao encerrar sua participação, Wilson Reis conclamou a categoria a se manter unida e fortalecida junto ao Sindjor-AM, reforçando que a valorização financeira e a defesa da formação acadêmica caminham lado a lado com a busca por uma imprensa livre, forte e fiel aos fatos.
Fotos e vídeos: Reprodução / Programa As Melhores do Povo / Portal Obidense