ÓBIDOS - Nas noites de piracaia sob a luz do luar, entre um gole de cachaça e uma baforada de cigarro, as margens dos rios e lagos da Amazônia tornam-se palco para o testemunho de um mundo caboclo profundo
Para o homem do rio, ver a Cobra-Grande de perto é uma sentença de morte ou uma impossibilidade
A imensidão do animal é narrada através de "causos" surpreendentes:
- A Carcaça de Terra Santa: Relatos antigos mencionam uma cobra que encalhou em Terra Santa, tão alta que um soldado montado a cavalo poderia passar por suas costas sem tocar a espinha do réptil
- O Rastro de Destruição: Em tempos de seca extrema, a cobra-grande foi vista mudando de lago, arrastando consigo a vegetação (aningais e matupás) e exibindo presas que saltavam para fora da boca como chifres
- Provas Indigestas: Há quem afirme ter encontrado vestígios de sua existência em dejetos que continham ossos, pelos, penas e espinhas de peixe, provocando fuga imediata dos pescadores
Para além do bicho físico, existe a crença nos seres encantados — humanos que sofreram feitiços e hoje habitam o fundo das águas
- Protetores e Vilões: Entidades como João Guimarães e Cobra Norato são vistas como figuras que auxiliam e protegem as embarcações
- A Malvada Maria Caninana: Em oposição aos protetores, Maria Caninana é considerada terrível e malina, frequentemente travando batalhas com seu irmão, Norato, que chegou a cegá-la de um olho em uma dessas brigas
- A Serpente de Óbidos: Diz a lenda que uma serpente encantada habita a igreja de Sant'Ana, em Óbidos, e uma rachadura no templo seria o resultado de uma mordida desferida por Maria Caninana em sua cauda
Esse universo, alimentado por pajés e curandeiros, sobrevive na voz dos mais velhos que reiteram convictamente os mistérios das matas e rios
*Este conto foi baseado na história da Cobra Grande do Livro AMAZÔNIA. Contos, Lendas, Ritos e Mitos. Autora: Edithe Carvalho Viera – Pode ser encontrado na Casa de Cultura de Óbidos, Museu de Óbidos, Amazon ou Mercado Livre – Não é reprodução é um resumo.