BELÉM - Com um palco flutuante em formato de vitória-régia e transmissão global, o espetáculo celebrou a floresta, a música e a força feminina da Amazônia. E quem brilhou intensamente foram as artistas paraenses, que emocionaram o público com suas vozes, histórias e raízes.
As vozes da Amazônia: quatro gerações de potência paraense
Joelma: o furacão do Pará
Com sua energia contagiante e o carisma que a consagrou como ícone da música regional, Joelma abriu o espetáculo com a promessa de “bater cabelo” até com Mariah Carey, estrela internacional convidada.
“O que me move é o amor pela minha cultura. Hoje a gente está vivendo o melhor momento da história do nosso Pará”, declarou emocionada.
Joelma também destacou a união entre as artistas: “Nós quatro cantando a nossa cultura, cada uma com seu estilo. Olha quanta riqueza a gente tem de ritmos aqui. A Amazônia é a grande estrela”.
Dona Onete: a rainha do carimbó chamegado
Ícone da música nortista, Dona Onete fez de sua apresentação um tributo à cultura e à resistência. Aos 85 anos, anunciou uma pausa na carreira, tornando o show ainda mais simbólico.
“É uma alegria poder fazer parte desse momento histórico antes de eu parar para descansar. Já fui muito homenageada, agora é hora de cuidar da saúde”. Com seu humor afiado, brincou: “Será que vai ter um Banzeiro hoje? Vamo ver, hein!”.
Gaby Amarantos: a diva pop da Amazônia
Com seu novo álbum reverberando nas redes, Gaby Amarantos trouxe ao palco uma fusão de tecnobrega, pop e ancestralidade. A influenciadora Blogueirinha, presente no evento, confessou: “Eu adoro a Mariah Carey, mas estou aqui pela Gaby Amarantos”. Gaby reforçou a importância de mostrar que a música paraense é parte da música popular brasileira, e não apenas regional.
Zaynara: a nova geração com raízes profundas
A mais jovem do grupo, Zaynara, emocionou ao falar sobre a representatividade: “Essas mulheres me moldaram como artista. Eu me sinto muito representada e agora posso representar também na minha casa, que é a Amazônia”. Sua performance misturou ritmos tradicionais com estética contemporânea, mostrando que a cultura amazônica está viva e em constante transformação.
Um palco para o mundo
O palco flutuante, com 26 metros de diâmetro e 88 toneladas, foi construído com materiais sustentáveis e pensado para causar o menor impacto ambiental possível. A apresentação foi transmitida ao vivo pelo Multishow e Globoplay, com momentos especiais exibidos na TV Globo.
Cultura além da música
A gastronomia também teve seu momento: o chef paraense Saulo Jennings enviou tucupi, açaí e bolo podre para o camarim de Mariah Carey, numa tentativa carinhosa de apresentar os sabores da região. Joelma, inclusive, brincou que queria ver Mariah “pulando e correndo” depois de provar tacacá.