Soja: Brasil em alerta com acordo China-EUA

Produtores e autoridades brasileiras veem com apreensão a possibilidade de um acordo que reduza as compras chinesas da soja brasileira

Por Da Redação-
20 2 Min

Soja: Brasil em alerta com acordo China-EUA
Imagem: Embassy of the People's Republic of China in the United States of America

MUNDO - A China defendeu a retomada da cooperação agrícola com os Estados Unidos, em meio à forte queda das exportações de soja americana para o país.

No discurso divulgado no fim de semana, o embaixador chinês em Washington, Xie Feng, afirmou que “o crescente protecionismo lançou uma sombra” sobre a relação comercial e destacou que, no primeiro semestre, as vendas dos EUA caíram 51% em relação ao mesmo período de 2024.

Sem citar Donald Trump, Xie atribuiu o recuo às tarifas impostas durante seu governo, que desencadearam uma guerra comercial a partir de 2018.

Como retaliação, Pequim aumento em 20% as tarifas sobre a soja americana, o que a tornou menos competitiva que a originária da América do Sul.

Atualmente, cerca de 70% da soja importada pela China vem do Brasil, que se consolidou como principal fornecedor durante o período de tensões.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o pronunciamento ocorreu dias após a Associação Americana de Soja enviar uma carta a Trump agradecendo o apelo público do presidente para que a China quadruplicasse as compras do grão, mas apontou que contratos já firmados com o Brasil garantem o abastecimento chinês pelos próximos meses.

O setor agrícola dos EUA vê nas tarifas um dos principais entraves para reconquistar participação de mercado.

O Brasil acompanha de perto essas movimentações. O Ministério da Agricultura já afirmou que pretende ampliar o portfólio de exportações para a China, incluindo sorgo, carne suína e frango, aproveitando a vantagem conquistada na última década.

Essa posição, no entanto, pode mudar rapidamente caso as duas potências alcancem um novo entendimento, lembrando que parte desse recente crescimento de vendas do Brasil se deu pela disputa tarifária entre Washington e Pequim.

Em recente matéria na 
Crusoé, falamos do pragmatismo chinês se sobrepor às declarações de apoio à Lula, quando o assunto é fechar bons negócios para o seu país, leia aqui.

Produtores e autoridades brasileiras veem com apreensão a possibilidade de um acordo que reduza as compras chinesas da soja brasileira, com potencial de diminuir a demanda e pressionar os preços no mercado internacional.

 


FONTE: O antagonista
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