03/11/2018 às 17h01min - Atualizada em 03/11/2018 às 17h01min

A vida e obra do obidense, Francisco Manoel Brandão, cujo a data de nascimento foi em 10 de abril de 1907.

Revivendo nossa história, Manoel Brandão, completou este ano (2018) 111 anos de nascimento e 50 anos de falecimento.

Por: Carlos Vieira

ÓBIDOS - Segundo REIS (1979) “A contribuição paraense ao Panteão Brasileiro, iluminada por nomes que se projetaram nas letras, nas ciências, nas artes, nas fileiras do Exército e da Armada ou ainda no campo da alta administração nacional, vai encontrar em Óbidos uma galeria que se enriquece, se não pelo volume, seguramente pelo conjunto de virtudes que marcaram esses tipos-símbolos.

Ao lado dessas figuras, por outro lado, Óbidos deu ao Pará, outros tipos, que criaram realmente página de singular beleza na história regional”.

Ao prefaciar o livro Terra Pauxi, cujo autor Francisco Manoel Brandão, assim o jornalista Peregrino Junior caracterizou o povo obidense: “O caboclo de Óbidos é dos mais inteligentes e sensíveis da Amazônia. Sabe fazer o tamarindo enfeitado, sabe fazer deliciosos doces, sabe o segredo de graves e miraculosas pussangas. É poeta e é pajé. E recolheu todas as qualidades de sabedoria dos seus maiores, os Pauxis”.
          
Francisco Manoel Brandão, nasceu na cidade de Óbidos no dia de 10 de abril de 1907. Era filho do professor José Praxedes Brandão, cearense que chegou em Óbidos trazido pela grande seca que castigou o nordeste brasileiro na segunda metade do século XIX, e da professora Clara Ferreira Brandão.
          
Perdeu o pai muito cedo, passou sua infância e adolescência em Óbidos, aqui iniciou seus estudos.Segundo relatos em seu livro intitulado Terra Pauxis, quando criança quase perde sua vida nas águas do Rio Amazonas. Alistou-se voluntariamente no Exército aos 16 anos, e aos 19 anos, seguiu para a cidade do Rio de Janeiro onde conheceu e casou-se com a senhora Estelevita Rodrigues, natural do Pará, com quem teve nove filhos. Com a morte de D. Estelevita, casou-se pela segunda vez com a senhora Rosinah de Sousa Santos, carioca. Deste segundo casamento vieram mais oito filhos.
        
No decorrer de sua vida profissional, ocupou diversos cargos, entre eles: Advogado, escritor, poeta, folclorista, ensaísta, compositor, fotografo, Oficial Intendente do Ministério da Guerra. Participou da expedição do Marechal Rondon para a implantação do telégrafo nas regiões norte e centro-oeste do país, funcionário do Ministério da Agricultura. Professor do Colégio Leopoldo, em Nova Iguaçu, Sócio Fundador, Membro e Presidente da Arcádia Iguaçuana de Letras, Diretor do Departamento de Administração do Serviço de Assistência e Previdência Social, chegando a ocupar o cargo de Procurador Geral.
           
Desenvolveu no estado do Rio de Janeiro, primeiro na Baixada Fluminense e posteriormente em Nova Iguaçu e Niterói, inúmeros trabalhos na área social: fundou a Biblioteca Falada da Baixada Fluminense, a qual tinha como objetivo, levar a literatura e cultura aos humildes da região. Fundou a Casa da Mãe Pobre, que fazia atendimento as famílias mais necessitadas. Foi grande incentivador para o retorno da tradição da Folia de Reis nas ruas de Nova Iguaçu durante os festejos natalinos, e em Niterói foi colaborador na Escola São Francisco onde fez uma verdadeira revolução cultural, introduziu a Pastorinha, o Cordão do Boi Bumbá, os Caboclinhos e o Auto da Burrinha.
          
Autor de poemas, livro, músicas e trabalhos artísticos, entre os quais merecem destaques: O homem que pensa por que tem mão; A morte do líder; Baião de dois; Meu baú de emoções (poemas); Balaio de lembranças (letra e música); Brasília agreste (fotografia e poemas); Paz; Terra Pauxi, cuja a introdução é datada de 25 de dezembro de 1950, livro este escrito para homenagear o centenário de elevação da Vila de Óbidos a categoria de cidade, no qual descreve parte de sua infância e adolescência, enfatizando suas peripécias, lembranças, poemas, histórias, lendas, folclore e um amor inabalável a sua terra natal.
        
Faleceu no dia 02 de março de 1968 na cidade de Niterói, após ter contraído de um derrame. Em síntese, este ilustre obidense completou este ano (2018) 111 anos de nascimento e 50 anos de falecimento.
        
Como homenagem póstuma, deixo aqui gravado o trecho introdutório e a conclusão da apresentação do livro Terra Pauxí.
 
Querida terra natal!
        
Ninguém sabe quando nasceste. É um segredo que o primeiro cacique pauxí confiou ao pajé da tribo e este, em vez de guardá-lo na memória da comunidade, na lembrança das gerações vindouras, levou-o consigo para as entranhas da terra ou para o seio misterioso das águas.
        
Se os fados não me permitirem tocar, no dia de teu centenário, o chão onde me ensinaste a caminhar, não esqueças que eu jamais esqueci a
         Minha formosa PAUXÍ!
Querida Terra natal!”
 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
-ALEXANDRE, Maria Lúcia Bezerra da Silva. Arcadianos e os usos do passado: uma análise do projeto histórico – cultural da Arcádia Iguaçuana de Letras (AIL) (Nova Iguaçu, 1955-1970). Rio de Janeiro, 2014.

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