02/12/2021 às 15h17min - Atualizada em 03/12/2021 às 00h00min

Painel debate o reforço da união de lideranças científicas com sociedade, empreendedores e produtores na região Amazônica

Discussão enfatizou a importância a sistematização do conhecimento e do trabalho em rede

SALA DA NOTÍCIA Vervi Assessoria

 

Com a moderação do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), Evaldo Vilela, o segundo painel da manhã do dia 01 de dezembro do evento “Wake Up Call Amazônia, Já!”, debateu a importância da união da rede de pesquisa e lideranças científicas com a sociedade, empreendedores e produtores locais na região amazônica, a partir da temática “Superação do vale da morte tropical”.

Nas palavras de Vilela é esta parceria que pode efetivar a sistematização do conhecimento disponível para ações práticas, lembrando que a ideia é continuar o legado do engenheiro agrônomo e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, que foi indicado ao Nobel da Paz de 2021 pelas contribuições à agricultura sustentável.

“É preciso trabalhar em rede. Na verdade, o que estamos fazendo aqui é o que o Paolinelli fez na década de 70. Em uma época em que não se falava em rede de pesquisa, ele criou esse conceito que resultou na criação da Embrapa. E essa rede de pesquisa tem um poder maior hoje, porque os desafios são muito grandes. Por isso, é preciso buscar atualização e entendermos as novas demandas”, afirma Vilela.

O pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), Gilmar Alves de Lima Júnior, reforça o entendimento de Vilela ao reafirmar que reconhecer os problemas é uma forma de combatê-los. “Desta forma, entendemos que as instituições têm conhecimento e tecnologia para mudar algumas situações da Amazônia, gerando riquezas para o Estado, melhorando o Produto Interno Bruto (PIB) sem derrubar floresta”, acredita.

Neste sentido, a pesquisa científica pode contribuir para esse avanço prático, na avaliação do chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Rondônia, Alaerto Marcolan. “Acreditamos no caminhar do ensino para a pesquisa aplicada e a transferência de tecnologia. O conhecimento científico pode se transformar em produtos, soluções e empreendedorismo”, afirma Marcolan.

Em ações práticas, o diretor-geral da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), Durval Dourado, explicou que estudos resultaram no Plano Nacional de Irrigação, que adiciona área irrigada em terras utilizadas com agricultura de centeio e pastagem com o objetivo de aumentar a produtividade, usando a mesma área. “É uma solução otimizada. Vamos buscar a troca dos sistemas de produção atuais por integração lavoura-pecuária-floresta para analisar o efeito desta troca na produtividade do tripé terra-capital-trabalho e isso, claro, tem que ser construído em conjunto para o benefício de toda a sociedade do Estado de Rondônia”, esclarece.

Em sua participação, o ex-ministro da Fazenda e do Planejamento e conselheiro do Fórum do Futuro, Paulo Haddad, pontuou a importância de se pensar também, para a região amazônica, no déficit de capital social. “Os Estados que crescem com base em recursos naturais, normalmente, não desenvolvem os indicadores sociais. Desta maneira, é preciso também ampliar o desenvolvimento do Estado a partir dos capitais intangíveis”, opina.

Para o ex-reitor e representante da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Antônio Nazareno, a transferência de tecnologia passa pelo tripé: ensino, pesquisa e extensão, chamando a atenção em relação à pouca valorização da extensão. “Neste sentido, temos feito ações que partem das universidades para criar oportunidades de recursos para a popularização da ciência, incentivando pesquisadores e professores”, explica.


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