20/10/2021 às 15h42min - Atualizada em 21/10/2021 às 00h00min

Setor de logística embarca na jornada rumo à descarbonização global

O setor de logística global emite mais de 3,5 gigatoneladas de CO₂ por ano, representando cerca de 8% das emissões globais

SALA DA NOTÍCIA Paula Mariane
A.P. Moller - Maersk/Divulgação

O aquecimento global deixou de ser apenas uma ameaça: tornou-se uma emergência climática para a humanidade e não há tempo a perder. A descarbonização é um imperativo estratégico para o setor de logística. É necessário agir sem demora e vigorosamente com ações ambiciosas para salvar o planeta, porque o tempo está se esgotando.

O setor de logística global emite mais de 3,5 gigatoneladas de CO₂ a cada ano. Embora seja verdade que a descarbonização das cadeias de abastecimento ainda apresenta desafios e questionamentos, é necessário implementar soluções que tenham um impacto positivo imediato no meio ambiente. Nessas cadeias, ao nível global, esforços podem ser feitos para incorporar soluções de baixo carbono ou neutras. No caso de navios porta-contêineres, eles podem ser atualmente movidos a combustíveis neutros em carbono.

De acordo com a Alliance for Logistics Innovation through Collaboration in Europe (ALICE), 8% das emissões globais de CO₂ vêm das operações da indústria global de logística de transporte. Destes, 62% das emissões são geradas pelo transporte terrestre, enquanto a modalidade oceânica contribui com 27% e a aérea soma 6%; a ferrovia contribui com 3%. Observa-se também há uma ambição para que a Europa seja o primeiro continente do mundo neutro para o clima até 2050, o que será alcançado com uma abordagem concebida para reduzir as emissões de CO₂ em 50% até 2030.

Nesse contexto, a Maersk intensificou seus esforços para cumprir a meta de descarbonizar suas cadeias de abastecimento até 2050. Recentemente, o grupo fez um pedido de oito navios porta-contêineres oceânicos capazes de operar com metanol neutro. O primeiro navio será lançado no primeiro trimestre de 2024, e oferecerá transporte offshore em grande escala e verdadeiramente neutro em carbono. A série substituirá os navios mais antigos, resultando em uma economia anual de CO₂ de cerca de um milhão de toneladas.

“A tecnologia do metanol é hoje uma realidade para a propulsão marítima, pois esse combustível pode ser fabricado de forma neutra em carbono, seja como biometanol a partir de biomassa sustentável, ou como eletrocombustível a partir de hidrogênio verde e CO₂ biogênico. O maior desafio será escalar esses combustíveis para atender à demanda global, o que requer um esforço e colaboração extraordinários em toda a cadeia de valor, mas estamos confiantes que isso pode ser feito”, disse Morten Bo Christiansen, chefe de descarbonização da A.P. Moller - Maersk.

É um fato que a descarbonização das cadeias de abastecimento globais será efetiva em 2050, razão pela qual a colaboração e os investimentos em projetos inovadores são uma das formas mais importantes para alcançar uma cadeia de valor de combustível neutra em carbono. No entanto, obter metanol neutro em carbono suficiente é um grande desafio. Para conseguir isso, a Maersk tem parceiros que estão assumindo o desafio de produzir o combustível. A China, por exemplo, como nação líder mundial em construção naval e marítima, é um parceiro crucial que garantirá que a indústria possa responder com eficácia ao desafio das mudanças climáticas. Assim, projetos de inovação científica e tecnológica, disponibilidade e infraestrutura de combustíveis ecológicos, bem como o desenho de embarcações neutras em carbono estão sendo desenvolvidos.

Por outro lado, a empresa continua a participar em associações e colaborações com stakeholders relevantes para fornecer combustível ecológico à sua frota. É o caso do investimento feito na Prometheus Fuels, uma startup com sede no Vale do Silício que desenvolve uma promissora tecnologia de captura direta de ar para permitir combustíveis ecológicos e com baixo custo de emissão de carbono. Outro investimento recente foi com a empresa WasteFuel, para desenvolver biorrefinarias que usam as tecnologias mais eficientes para produzir combustíveis sustentáveis a partir de resíduos irrecuperáveis que, de outra forma, liberariam metanol e outras emissões nocivas na atmosfera.

A ALICE propôs uma abordagem na qual diferentes soluções são combinadas, de modo a reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, minimizar os investimentos necessários para alcançá-la. Nesse sentido, classificou as soluções que reduzirão as emissões de CO₂ em cinco tipos:

  • Manuseio adequado do crescimento da demanda de carga;
  • Modos de transporte inteligentes usados e combinados;
  • Frota e ativos usados, compartilhados e usados ao máximo;
  • Frotas e ativos com eficiência energética;
  • Frotas e ativos que utilizam fontes de energia com a menor quantidade possível de emissões.

“Hoje o foco está nos navios, mas o esforço não para por aí, pois há muito a ser feito com caminhões, armazéns, terminais e aviões para garantir que a cadeia de abastecimento de ponta a ponta seja sustentável. Esta é a década em que devemos agir com ousadia e é nossa responsabilidade fazê-lo imediatamente”, concluiu Morten Bo Christiansen.

 

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