19/08/2021 às 14h00min - Atualizada em 20/08/2021 às 00h00min

Recuperandos das APACs produzirão 60 mil refeições para pessoas que vivem em situações precárias

A ação faz parte da campanha “Alimentando a Esperança – Paz, Justiça e Cidadania”, realizada pela AVSI Brasil e FBAC com apoio da União Europeia.

SALA DA NOTÍCIA Marcelo Dias Moreira
Apac São João del Rei/Arquivo
Recuperandos de 10 APACs de Minas Gerais, Paraná e do Maranhão aceitaram o desafio de produzir, em conjunto, 60 mil refeições até dezembro de 2021 para serem distribuídas a pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade das áreas do entorno das instituições. A ação faz parte da campanha intitulada “Alimentando a Esperança – Paz, Justiça e Cidadania”, que tem o apoio da Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), em parceria com a Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC). Os recursos para a produção e distribuição das refeições vêm da União Europeia.
A produção de alimentos já começou na APAC de Paracatu (MG), feita pelos próprios recuperandos, que também são responsáveis pela distribuição. A autoadministração será adotada em todas as APACs que aderiram ao projeto, como nas cidades de Manhuaçu, Pirapora, São João Del-Rei (APAC feminina e masculina) e Itaúna, todas em Minas Gerais. Outras unidades que se integrarão ao projeto estão em fase de negociação com a AVSI. As APACs deverão prestar contas do uso dos recursos e do número de refeições produzidas e distribuídas.
“O projeto Alimentando a Esperança coloca uma série de desafios aos recuperandos e às APACs, como a administração de recursos, a organização de tarefas e as metas a cumprir”, diz Jacopo Sabatiello, vice-presidente da AVSI Brasil. “Ao mesmo tempo, é uma forma de se demonstrar à sociedade o papel que as pessoas em cumprimento de pena podem desenvolver ao contribuir para aquelas em situação de fome, e com isso, jogar luz sobre a importância de um sistema prisional humanizado”, diz ele.
Assim, além de fornecer alimentação para quem precisa, a campanha pretende dar evidência ao Método APAC como uma alternativa ao sistema prisional comum. “Sem perder de vista a finalidade punitiva da pena, as APACs acreditam que a humanização das prisões contribui para a reintegração bem-sucedida do egresso na sociedade”, explica Valdeci Ferreira, diretor executivo da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC). Segundo ele, os indicadores comprovam a eficiência do método. Nas APACs, por exemplo, a taxa de reincidência é de 15% entre os recuperandos homens e 5% entre as mulheres. No sistema comum, esse número salta para cerca de 80% no masculino e 15% no feminino.
Pelo Método APAC, os recuperandos são responsáveis pela cogestão, organização e até mesmo pela segurança e disciplina. No caso da atual campanha, os alimentos serão processados e preparados dentro das cozinhas das APACs, equipadas para a produção das refeições. Algumas delas, por exemplo, são equipadas com fornos de padaria. Em um projeto de 2020, APACs de Minas e do Maranhão produziram 360 mil máscaras anticoronavírus que foram distribuídas às comunidades.
Criado em 1972 por um grupo de voluntários liderado pelo advogado e jornalista Mário Ottoboni, o Método APAC é baseado em 12 elementos fundamentais: participação da comunidade, recuperando ajudando recuperando, trabalho, espiritualidade, assistência jurídica, assistência à saúde, valorização humana, família, voluntário e curso para sua formação, Centro de Reintegração Social, mérito e jornada de libertação. Além do Brasil, diversos outros países como México, Paraguai, Chile, Costa Rica, Argentina, Colômbia, Itália, Portugal, Alemanha, Holanda, Coreia do Sul aplicam o Método APAC.
Sobre a AVSI Brasil
A AVSI Brasil é uma organização brasileira sem fins lucrativos, constituída em 2007, para contribuir na melhoria das condições de vida de pessoas que vivem em situações de vulnerabilidade. É vinculada ao contexto internacional por meio da parceria com a Fundação AVSI, organização não governamental de origem italiana que atua no Brasil desde os anos 1980 e que estimulou a criação da AVSI Brasil.
Para realizar seus projetos, a AVSI Brasil constrói parcerias com empresas, setor público, organizações da cooperação internacional e pessoas físicas. A AVSI Brasil desenvolve projetos beneficiando milhares de pessoas anualmente, em oito áreas transversais: Água e Segurança Alimentar; Cidades Inclusivas e Resilientes; Energia e Ambiente; Justiça e Prevenção da Violência; Migrações; Parcerias Multissetoriais; Socioeducativo; Trabalho e Crescimento Econômico.
Sobre a FBAC
A Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados - FBAC é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, que tem a missão de congregar as APACs do Brasil, assessorar as APACs do exterior, manter a unidade de propósitos das associações, orientar, assistir, fiscalizar e zelar pelo cumprimento da metodologia, modelo de gestão e normas de disciplina e segurança das APACs. Também orienta e fiscaliza a correta aplicação da metodologia, organiza congressos, seminários e cursos de capacitação e treinamento para funcionários, voluntários recuperandos e autoridades. Está filiada à Prison Fellowship International - PFI, organização consultora da ONU para assuntos penitenciários, presente em mais de 120 países.
O projeto Más Allá de las Fronteras
Desde novembro de 2017, a AVSI Brasil e FBAC iniciaram o projeto Más Allá de Las Fronteras que tem como objetivo contribuir para o fortalecimento da sociedade civil no combate a atos de tortura, maus-tratos, penas cruéis, desumanas e degradantes, por meio da consolidação/expansão do método APAC em 3 países latino-americanos: Chile, Costa Rica e Paraguai. O projeto é cofinanciado pela da União Europeia a partir do Instrumento Europeu de Promoção a Democracia e dos Direitos Humanos (IEDDH).
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