02/01/2021 às 14h52min - Atualizada em 02/01/2021 às 14h52min

Em crônica, lembranças de um passado na cidade de Óbidos na memoria de Alessandro Savino | Portal Obidense

Não apenas eu, mas todos nós éramos assim ou quase todos nós éramos assim, sim nós éramos assim, cheio de sonhos e esperanças

Por: Alessandro Savino
Foto: Andre Luiz
ÓBIDOS - Nós éramos assim responsáveis pelos os que estavam a nossa volta e caminhavam conosco.

Nós talvez imaginássemos o que significava as palavras: solidariedade, Amar, Respeito, Proteção, Amizade e Gratidão. Hoje com o passar das dobras do tempo todos nós compreendemos o que significa a exuberância e riqueza de sua definição.

Nos anos oitenta a Juventude Obidense que residia no centro da cidade quebrou as fronteiras e se aglutinou numa só. A turma da Praça de Sant’Ana ou Barreirão ...

Hoje percebemos como incrivelmente éramos felizes ....Nós éramos assim: brincantes de Peteca, Triangulo, Torete, Belário, Policia/ladrão, Pião, jôjô ou esconde e esconde , Cemitério, Cabo de Guerra, Brincadeiras de Rodas, Cabra Cega, quadrilha, Céu/Macaca, Bole Bole, Pulávamos Corda, empinávamos papagaio ou pipa, nadávamos nos rio e Igarapés, subíamos com um tronco de árvore nas costa até o Porto de Cima, jogávamos no rio e íamos nadando até o meio do rio Amazonas e deixava a correnteza nos levar, quando chegávamos em frente a Cabeça do Padre todos nós pulávamos e íamos nadando até a praia, subíamos a Serra da Escama pra brincar de Tarzan e se embalar nos Cipós das Sumaumeiras, Pescávamos e Balávamos Passarinhos, pegávamos borboletas pra vender pra Saudosa Maria Delza, seu Ernesto Imbelloni,  e também para o Sr. Gilberto Borboleta.

Acampávamos no “Pingo D’água”, jogávamos bola na rua, no Barreirão e no Estádio General Rego Barros, Jogávamos Volleyball e Ping Pong na ARP, Mariano, Quartel e casa do Everton Carvalho, Subíamos no Pau de Sebo, Dançávamos Quadrilha e assistíamos as exibições dos Grupos folclóricos: A Garcinha, Arara. Os Bois Pai do Campo e Pintadinho, no Carnaval saíamos fantasiados de Mascarado Fobó, pegávamos nossas bicicletas que o Foco-Everaldo, chamava carinhosamente de Camelossauros e íamos lá “pras” bandas das Campinas, Engenho,  A Poema e Curuçambá explorar os igarapés da Terras do centro, subíamos nos pés de Manga, Ingá, Goiabeira, Abacateiro, araçazeiro, Pitombeira, Castanholeira, Cajueiro, Cutiteiro, jambeiro, Sapotilheira, abilzeiro, Caramboleira e Laranjeira.

Descíamos a Rua Bacuri e íamos para o trapiche observar os barcos e navios atracarem, cada um de nós gentilmente levava consigo um par de ovos chocos.....o barco atracava os obidenses desembarcavam e embarcavam, conversas, beijos e abraços e saudades pairavam no  ar...o barco desatracava, pois tinha que continuar viagem rio acima ou abaixo , ai começava as provocações do povo de outras cidades que estavam no barco “Chupa Osso”, “Chupa Osso”, quando eles menos esperavam eram surpreendidos por uma chuva de ovos chocos. Bons tempos e ingênuos eram aqueles.

Como eram lindos os dias do despontar de nossas existências, rezamos, estudamos catecismo com a Professora Ana Moda e recebemos a Primeira Comunhão na Igreja Matriz de Sant’Ana.

Brincávamos e letrávamos no Colégio José Veríssimo, São José, São Francisco e Felipe Patroni.

Andávamos sem os tampões dos dedos dos pés, joelhos ralados nada que uma infusão de álcool com Jucá ajudasse secar e cicatrizar, com entorse nos pés e as milagrosas intervenção do Sr. Luiz Bode, exímio puxador de deslocadura e seus óleos Andiroba, Copaíba e sebo de Holanda ou Carneiro.

E as paqueras desinteressadas que aconteciam na festa maior da Cidade, A Festa de Sant’Ana, sempre no mês de julho, duas semanas de festividade todos os caminhos levavam à Praça Barão de Rio Branco ou Sant’Ana, era lá que todos nós encontrávamos, e acontecia a famosa volta na praça... homens no sentido horário e mulheres no sentido anti-horário tendo como trilha sonora a seleção musical dos autofalante   Acácia do Sr. Miguelzinho Carvalho.

Éramos assim uma cidade feliz, pacata, bucólica, que respirava e exalava cultura e esquecida em qualquer parte alguma na margem esquerda do Rio Amazonas.
                                                     
Houve um dia em que.... pela última vez eu e meus amigos de infância saímos para brincar nas ruas e voltamos pra casa sem que nenhum de nós soubéssemos que seria a última vez, pois, havíamos crescidos e já percebíamos o quanto os momentos mais simples da vida são mais importante do que qualquer outra coisa em nossa jornada... e parafraseando o festejado Escritor Rio Grandense, Mário Quintana queremos um dia poder dizer as pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar as amizades e às pessoas. Que a vida é bela sim e que sempre demos o melhor de nós ... .... e que valeu a pena.
Feliz Ano Novo aos nossos amigos de todos os quadrantes do Mundo.


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