01/05/2020 às 15h09min - Atualizada em 01/05/2020 às 15h09min

Quilombolas de Oriximiná se unem para manter as comunidades livres de contágio da Covid-19 | Portal Obidense

Assegurar condições de sustentabilidade das populações em suas comunidades é o objetivo das ações desenvolvidas pela Arqmo e parceiros contra a Covid-19

Por: Martha Costa
Foto: Edwilson Pordeus/Acervo Ecam
ORIXIMINÁ - Localizada às margens do rio Trombetas, um dos afluentes do Rio Amazonas, distante a aproximadamente 820 km da capital do Pará, o município de Oriximiná é um dos municípios paraenses que possui a maior população quilombola do estado, ao todo são 37, uma média de aproximadamente 4 mil famílias que sobrevivem da agricultura familiar, pesca e extrativismo, como o da castanha do Pará, principal fonte de renda de muitas famílias durante o período de coleta.

Mas, alguém já parou para pensar como está a economia nos quilombos neste período de pandemia? A pergunta de repente fique sem resposta, mas ao conversar com o senhor Gervásio Oliveira, 57 anos, coordenador da associação do território Ariramba e agricultor, a gente começa a entender a dinâmica da vida nos territórios quilombolas.

A história de vida de seu Gervásio é igual a de tantos outros quilombolas que trabalham cultivando a terra e após a produção dos derivados da mandioca saem das comunidades ainda na madrugada em pequenas embarcações para assegurar o sustento de suas famílias. “A gente vive da agricultura e se não trabalha é um Deus nos acuda. Na feira tem dias que vende R$ 300,00 e quando a venda é boa a gente ganha até R$ 800,00”, declarou o líder quilombola que juntamente com a família e a família dos três filhos casados, todos residentes no mesmo domicílio, trabalha na produção dos derivados da mandioca como a farinha d'água, farinha de tapioca e beijus, produto muito apreciado na culinária local, e no extrativismo com a produção do açaí e castanha do pará.

A Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte – Coopaflora é outro exemplo importante, recém-criada e fonte de renda para povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, antes da pandemia chegou a efetivar uma venda de 48.070 kg de castanha do pará o que equivale a 878 hectolitros de castanha. “Depois do foco da pandemia não compramos mais castanha e nem um produto do extrativismo por conta dos trâmites legais, e isso reflete de forma negativa pois cai o preço dos produtos e o produtor fica nas mãos dos atravessadores que usam a pandemia como forma de tirar vantagem”, ressaltou Rogério Pereira, presidente da Coopaflora.

Com as publicações de isolamento, decretos e instruções normativas por parte do poder público, os povos quilombolas dos oito territórios de Oriximiná seguem orientados a permanecerem nos quilombos como forma de conter o avanço e o contágio comunitário. Ainda no mês de março, com apoio de instituições governamentais e privadas foi criado um GT (Grupo de Trabalho de Combate ao coronavírus) e entre as ações está doação de cestas básicas, como medida para manter os quilombolas em suas comunidades.
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