01/11/2018 às 08h06min - Atualizada em 01/11/2018 às 08h06min

Moro vai ao Rio para discutir ministério com Bolsonaro

Expectativa é que presidente eleito proponha 'superministério', englobando áreas de segurança e transparência; no avião, juiz diz buscar 'convergência'

Publicação - Revista Veja
Por: Walmir Ferreira
Foto: revista Veja
BRASIL - O juiz federal Sergio Moro viajou ao Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira 1º para uma reunião ainda no período da manhã com o presidente eleito da República, Jair Bolsonaro (PSL). No encontro, Bolsonaro deve oficializar o convite para Moro assumir o Ministério da Justiça em seu governo.

No avião que o transportou ao Rio, que decolou de Curitiba por volta das 6h30 da manhã, o juiz responsável pela Operação Lava Jato falou ao canal fechado GloboNews. Segundo ele, ainda é “prematuro” falar sobre a sua resposta ao convite, mas que se ele e Bolsonaro tiverem “convergência” em relação a agendas contra a corrupção e a criminalidade assumir a função passa a ser, de fato, uma “possibilidade”.

Em um movimento de redução do número de ministérios, com a fusão e incorporação de pastas atuais, o presidente eleito deve propor a Sergio Moro um poder inédito para um ministro da Justiça no Brasil. O “superministério” deve incluir as funções atualmente exercidas pelas pastas da Segurança Pública e da Controladoria-Geral da União (CGU). Além do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Assim, se aceitar, Moro vai comandar uma megaestrutura que o fará ser o responsável no governo do comando da Polícia Federal (PF) às funções de promoção da transparência e de gestão do sistema penitenciário federal.

Nos últimos dias, Moro ouviu ponderações sobre os prós e contras de assumir um cargo executivo no recém-eleito governo Bolsonaro. Além de ter de deixar a magistratura, o juiz teria de lidar com o discurso de petistas de que suas sentenças no petrolão – que até o momento foram responsáveis por 215 condenações contra 140 pessoas – tiveram viés político.
 
A narrativa do PT tende a ser potencializada com a proximidade da conclusão do processo em que o ex-presidente Lula é acusado de ter recebido um terreno e um apartamento como propina da empreiteira Odebrecht. Dentro de duas semanas, o ex-presidente também deve ficar cara a cara com o juiz durante depoimento em que Lula é acusado de ter sido beneficiado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht com reformas em um sítio em Atibaia.
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