01/05/2018 às 10h39min - Atualizada em 01/05/2018 às 10h39min

A polêmica sobre a pintura e revitalização do Forte Pauxis.

Uma viagem pela nossa história com riquezas do ontem e com assuntos do hoje. Nosso presente depende de corajosos para novas gerações do amanhã

Prof. Esp. Carlos Augusto Sarrazin Vieira
Foto capa: Eduardo Dias - Forte Pauxis

ÓBIDOS - Há muito tempo a população obidense assiste angustiadamente a lenta e gradual destruição de seu patrimônio histórico, o que consequentemente está levando ao ostracismo parte de nossa história.

A Fortaleza Gurjão que foi instalada no ano de 1908 em um dos topos da Serra da Escama, que deveria servir como defesa da região, hoje encontra-se em estado de total abandono e decomposição, sem que aja qualquer iniciativa por parte do Governo Federal (já que é tida como patrimônio do Exército Brasileiro), para sua revitalização. Se assim o fizesse, certamente seria um dos mais procurados pontos turísticos com possibilidades reais de atração turística e fonte de renda para o Município.

Na mesma situação, encontrava-se o lendário Forte de Santo Antônio dos Pauxis construído pelos portugueses no final do século XVII, tinha como objetivo manter a soberania portuguesa sobre a região e evitar o contrabando das chamadas Drogas do Sertão e da mão de obra indígena para o cultivo da lavoura. O atual forte, segundo Oliveira (2014) “No período de sua construção, os Estados Unidos forçavam a abertura de rios à navegação internacional, e o Forte servia para fechar a passagem, sendo um projeto estratégico para garantir a presença militar brasileira na Amazônia contra uma possível internacionalização.”

Foi projetado pelo Major Engenheiro Dr. Marcos Pereira de Sales, teve sua construção iniciada entre os anos de 1853/54,  fato este que levou o Império a implantar entre a entrada do Lago Arapucu e Lago Quiriquiri, uma Colônia Militar objetivando dar apoio a sua construção, assim como impulsionar através da agricultura, a economia da antiga Aldeia dos Pauxis,  que naquele ano havia sido elevada ao status de cidade com o nome de Óbidos pelo então Presidente da Província do Pará, Capitão-General, Sebastião do Rego Barros, nome este dado em homenagem a Vila de Óbidos de Portugal, por apresentar características topográficas semelhantes.

No decorrer do século seguinte, o Forte Pauxis passou por diversas recuperações para que pudesse alocar o Campus da Universidade Federal Fluminense UFF; a 1ª turma de Pedagogia da Universidade Federal do Pará - UFPA e o Batalhão da Policia Militar – 3º BPM Tapajós, até ser incorporado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -  IPHAN, através do processo nº 1613 -T- 2010, com inscrição homologada no Livro de Tombo Histórico, em setembro de 2014.

Atualmente abandonado, servindo de motel, esconderijos para malfeitores, e local para o uso de drogas e bebidas alcoólicas, e sem qualquer perspectiva de continuidade de sua recuperação. Fato este que pode ser comprovado no último carnaval, quando pessoas que visitavam a nossa cidade tiveram o desprazer ao visitar o local, encontrando-o em situação de total abandono. O que deveria ser um espaço de orgulho para todo cidadão obidense, já que aquele local foi o berço histórico da sociedade pauxiara, passou a ser símbolo de humilhação, desprezo e desrespeito para todos os munícipes.

Diante de tais desprezíveis e humilhantes fatos, reuniu-se um grupo de amigos, filhos diletos e abnegados da excelsa e majestosa Sentinela da Amazônia, independentemente de cores, bandeiras ou ideologias partidárias decidiram lutar pela revitalização do Forte Pauxis. Iniciou-se com uma limpeza, e posteriormente, o trabalho de pintura. Cada um cooperou com o que pode: uma lata de massa, um galão de tinta, lixa e até mesmo mão de obra. Hoje, embora ainda tenha muito o que fazer, pessoas já podem visitar o local e encontrar um ambiente aprazível e agradável.

Diante a essa honrosa decisão que tomamos, estamos sendo constantemente criticados, caluniados, injuriados e vilipendiados através do Blog do Senhor Jeso Carneiro, por pessoas inconformadas, que não aceitam a ideia de que o povo além de nossos administradores, tem o direito e o dever de zelar pelo seu patrimônio histórico, e com isso, perpetuar a história escrita pelos fatos e feitos de nossos antepassados, deixando-a como legado as gerações vindouras.

A essas pessoas que usam a mídia sem qualquer identificação - contrarias aos trabalhos que estamos realizando - que as chamo de FILHOS ESPURIOS, gostaria de convidá-las a unir-se a nós em vez de estarem com picuinhas politiqueiras baratas, tentando nos impedir a realizar um trabalho em benefício de nossa população. Em síntese, só posso dizer que vamos continuar trabalhando pela revitalização e utilização de nossos patrimônios históricos, tornando-os espaços aprazíveis independente de credos bandeiras ou ideologias políticas, pois neste momento estamos unidos em um só partido, que se chama ÓBIDOS.

Referências Bibliográficas

- OLIVEIRA, Amanda de. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Pará – CAU/PÁ, 2014.

* Prof. Esp. Carlos Augusto Sarrazin Vieira: Licenciado Pleno em Pedagogia, Universidade Federal do Pará. Licenciado Pleno em Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará. Licenciado Pleno em História pela Universidade Cidade de Guanhães, MG. Pós Graduado em Pedagogia Escolar pela Faculdade de Táhirih, AM. Pós Graduado em Metodologia do Ensino da História e Geografia na Educação Básica, Faculdade Internacional de Curitiba. Aperfeiçoamento de professores em Filosofia, UFPá, e Sócio Correspondente do Instituto Historio e Geográfico do Pará – IHGP.

 


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