31/10/2017 às 19h31min - Atualizada em 31/10/2017 às 19h31min

Quilombolas do Município de Alenquer no Baixo Amazonas viram tema de documentário

ORM

PARÁ - O Marambiré, manifestação cultural que envolve dança, música e cantos marcados fortemente pelo som da caixa e dos pandeiros, fazendo referência aos antigos reinados da África Central, é tema do documentário Marambiré, do diretor André dos Santos. A produção será exibida nesta quarta-feira (1º) no Sesc Boulevard na capital paraense, às 18h, com entrada franca. Projeto foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016.

O documentário mostra a dinâmica do Marambiré na comu¬nidade quilombola do Pacoval, no município de Alenquer, no Pará, e das famílias que dele participam. Por meio de depoimentos dos mestres populares e da comunidade, traz à tona esse ritual que resiste há mais de um século como instrumento de preservação da cultura, das raízes africanas, das memórias dos escravos e de seus descendentes na região amazônica, reunindo corporalidade e oralidade. Passada de geração em geração, a dança re¬cria um universo teatral-ritual com rei, rainhas, “valsares”, tocadores e contramestres. Atualmente, se apresenta na forma de um festejo sincrético que inclui elementos de cultos africanos e religião cristã, assim como culturas portuguesa e africana.

História

O Marambiré ocorre principalmente em homenagem a São Benedito, um santo católico venerado em Portugal desde o sé¬culo 16 e que, ao ser trazido ao Brasil pelos padres portugueses, por ser ex-escravo, foi prontamente adotado pelos escravos, tornando-se um santo negro de grande devoção. A festa maior inicia em 14 de dezembro, dia de Santa Luzia, e termina em 20 de janeiro, dia de São Sebastião. O ponto alto dos festejos ocorre no dia 6 de janeiro, dia de São Benedito.

Além do forte aspecto religioso, o Marambiré tornou-se um símbolo da resistência étnica, não somente da comunidade do Pacoval, mas de diversas outras localizadas no baixo Amazonas. Nas letras das músicas, as referências à África, ao sofrimento e ao passado escravista são fortes, marcando o pertencimento étnico e a identidade afrodescendente.

Ele se desenvolve de maneira ritualística e teatral, seguindo passos que determinam diferentes formações – como fileiras ou rodas –, músicas e cantos e atuações dos personagens envolvidos. Um dos ritmos que embala o momento é o Lundum, muito parecido com o Carimbó e o Marabaixo. Os personagens são o Rei do Congo, a Rainha do Congo, as rainhas auxiliares, os cabeçários, o caixeiro, o contra-mestre e os valsares. A presença de uma “corte” é muito comum em diversas manifestações culturais de origem africana.Os dançarinos vestem trajes brancos e coloridos, coroas e capacetes feitos de fitas e papéis de seda e crepom coloridos, que substituem as pe¬nas de pássaros usadas no passado. O ritmo da dança é dado pela caixa e pelos pandeiros.

Como retrata o documentário, as letras das músicas são bastante antigas e, segundo a comunidade, não são mudadas desde que foram criadas. Cada parte do ritual tem seus cantos específicos. Ao mesmo tempo em que as músicas evocam São Benedito, rendem tributo à nobreza – ao Rei e à Rainha do Congo – e seus vassalos, atualmente chamados de valsares.

André dos Santos

O diretor do documentário é quilombo¬la, nascido na comunidade Boa Vista, no alto rio Trombetas, no Pará, a primeira comunidade de rema¬nescentes de quilombos a receber o título coletivo e definitivo de suas terras, em 1995. Há cinco anos, vem se dedicando a produzir documentários sobre a vida e a cultura de comunidades afrodescendentes na Amazônia, como forma de divulgar e preservar esses saberes, sabendo da importância que o audiovisual tem para esse feito.

ORM/ Diversão e Arte/ Festival de Cinema

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