06/10/2016 às 15h12min - Atualizada em 06/10/2016 às 15h12min

O transporte coletivo da linha de Óbidos e Oriximiná é uma viagem ao caminho do retrocesso.

No conjunto da obra, coletivo sem condições e estrutura para transportar pessoas e estradas com condições precária de trafegabilidade.

Por: Walmir Ferreira
Fotos: Portal Obidense

ÓBIDOS - O conceito de ônibus como modalidade de transporte público tem sua origem na cidade de Nantes, França em 1826, estabelecido então um transporte entre o centro da cidade e as instalações de banhos públicos nos arredores do município.

O serviço combinava as funções das carroças hackney com as das diligências que percorriam uma rota pré-determinada, transportando passageiros e correio. O veículo era dotado de bancos de madeira ao longo do mesmo e a entrada era efetuada por trás.

O aparecimento do ônibus foi fator fundamental para o surgimento dos serviços de transporte público. Transportar passageiros

demonstrou ser tão economicamente interessante que em 1895, Karl Benz criou o primeiro ônibus movido por um motor a explosão. Dotado de um motor a gasolina de 5cv, o ônibus de Benz alcançava 15Km/h e transportava até oito passageiros.

120 anos depois e o ônibus continua a transportar passageiros nos quatro cantos do planeta e em alguns lugares o retrocesso é um companheiro de viagem. No município de Óbidos, Oeste do Pará, a linha de Ônibus Óbidos – Oriximiná é feita pelo percurso terrestre de 76 quilômetros. Esse trajeto deveria ser feito em pouco mais de duas horas, mas não é o que se vê. Para chegar ao destino o passageiro viaja em torno de três horas e meia e dependendo de fatores externos a viagem pode chegar às quatro horas dentro do coletivo com uma parada na comunidade Repartimento, divisa entre os dois municípios.

O serviço de ônibus produziu repercussões na sociedade e na urbanização. Socialmente, o serviço colocava pessoas, em intimidade física sem antecedentes, espremidos uns contra os outros numa pressão democrática que mesmo a pessoa de classe média com a mentalidade mais liberal tinha experimentado antes. Só os mais pobres permaneciam excluídos. Assim surgiu uma nova divisão na sociedade urbana, dividindo aqueles que possuíam carruagens e os que não possuíam.

Os ônibus deveriam conduzir apenas 34 passageiros. Em alguns coletivos há apenas metade dos assentos e muitos vão a pé e exprimidos. Os assentos não oferecem conforto. As cadeiras são de plástico. Não possuem almofadas. Climatização não existe. A poeira é inimiga da respiração. O calor infernal massacra crianças e idosos. A produção local é escoada junto com passageiros.

Desconforto e necessidade. As duas faces do coletivo na região. Em mais de cem anos o objetivo do ônibus de transportar várias pessoas ao mesmo tempo segue vivo, pena que sem a mesma qualidade no serviço.


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