31/03/2017 às 18h28min - Atualizada em 31/03/2017 às 18h28min

De passagem por Óbidos, artista pinta paisagem em cerâmicas usando os dedos como pinceis

O trabalho artístico, surge em poucos minutos, uma mistura de coloridos emaranhados que vai tomando forma até surgir lindas paisagens.

Por: Walmir Ferreira

Foto: Portal Obidense

ÓBIDOS - O impressionismo no trabalho do artista Maurício é fantástico. A pintura com os dedos em telas, azulejos e paredes foi um talento lapidado desde a infância. Aos 21 anos, quando decidiu sair de casa e viajar o País e o Continente, Maurício sabia das dificuldades e o que poderia aprender e observar. Paisagens e culturas gravados, artisticamente e de forma magistral, em peças de cerâmica ou em paredes de residências ou empresas.

O belíssimo trabalho pode sair em poucos minutos. Enquanto uma simples conversa rola solta os dedos ágeis e talentosos desenham uma paisagem num pedaço de cerâmica. Assim trabalha Maurício, que saiu de casa aos 21 anos, da cidade de Aparecida do Norte, Estado de São Paulo. A técnica de pintura com os dedos em telas, cerâmica e paredes reproduz cenários naturais. A tinta usada é para telas, em tubos o artista espreme nos próprios dedos, que servem como pincéis, assim saem seus mais variados trabalhos artísticos.

QUEM É MAURÍCIO?

Mas, a história de Maurício começa 40 anos atrás, mais exatamente ao final da década de 70. Maurício Silva da Costa é natural do Município Paulista de Aparecida do Norte, tendo a cultura religiosa muito forte e num período em que o movimento Hippie crescia no mundo. Maurício cresceu em meio aos trabalhos artísticos religiosos na cidade. Aos 14 anos, ainda muito jovem iniciou como aprendiz numa Fábrica de produção de Imagens de Santos. Foi ali que o pequeno Maurício aprendeu a pintar e mais ainda a observar arte onde todos viam sujeira.

COMO NASCEU O ARTISTA?

Como Maurício ajudava na pintura das imagens de Santos começou a observar um detalhe que se tornaria de fundamental importância para o desenvolvimento de seu dom. Onde muitos viam os respingos de tinta sobre o chão da fábrica como sujeira a ser limpa, Maurício viu ali que os pingos multicoloridos poderiam se alinhar e criar formas. Foi então que aos poucos com a ponta dos dedos o jovem começou a movimentar as cores e criando formas, organizando o traçado de forma a criar algum tipo de mensagem. Imagens de paisagens começaram a surgir. Maurício percebeu que aquilo ali era algo importante e foi aprimorar. Aos poucos, o resto de tinta era aproveitado pelo jovem para a prática da pintura, mas o talento era tão grande que Maurício começou a fazer trabalhos incríveis no chão. Foi daí que o tempo passou e aprimorou o trabalho para telas e posteriormente para paredes e cerâmicas.

CONHECER OUTROS LUGARES

A partir dos 14 anos, numa época muito difícil para os jovens, Maurício viajou pela primeira vez sozinho, mas foi logo para a delegacia, por ser menor e viajar desacompanhado. Aos 21 anos decidiu sair do seio da família, do conforto do lar e pegou o rumo, aliás sem rumo certo viajou. Sua primeira parada foi no Estado das Minas Gerais, outro centro cultural forte para a arte sacra. Maurício começou ali a desenvolver seus trabalhos. Como andarilho percorreu cidades mineiras e resolveu conhecer o país. Mas, não se conteve e visitou outros países da América do Sul como Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Peru, Chile, Colômbia e América Central como Costa Rica, Honduras e Nicarágua, tendo uma rápida parada no México.

COMO VIVE O ANDARILHO?

Depois que saiu de casa, Maurício retornou poucas vezes à sua cidade natal. Mantém contato com os dois irmãos pelas redes sociais e faz ligações para os pais. Andando de cidade a cidade, de cultura a cultura, Maurício não vê outra vida que não seja esta. O artista ficou uma semana na cidade de Óbidos, Oeste do Pará e viaja para Alter do Chão, vilarejo do Município de Santarém. Depois não tem destino e lugar fixo. O que fascina este artista é o fato de conhecer lugares, culturas e pessoas com várias histórias de diferentes contextos.

Com sua velha companheira de viagem, sua mochila, Maurício leva tudo o que precisa, basicamente. Enquanto tiver saúde, talento e oportunidades fará novos trabalhos de pintura na cerâmica, na tela ou nas paredes em Óbidos, Oriximiná, Santarém ou até mesmo fora do país. Assim ele é feliz e realizado.

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